Clinton pode admitir caso com Monica
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domingo, 16 de agosto de 1998
Agência Folha 
Arquivo FolhaClinton pode dizer que teve relação inapropriada com MonicaO presidente Bill Clinton pode admitir hoje perante o júri de inquérito que teve um relacionamento inapropriado com a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky. A informação foi divulgada ontem pelas agências de notícias citando como fonte dois assessores do presidente que não quiseram se identificar.
Segundo um dos assessores, Clinton teria admitido a seus advogados, pela primeira vez, que teve uma relação sexual com Lewinsky. Ele pode não ter usado a palavra sexo, mas finalmente quebrou aquela barreira, disse o assessor.
Clinton, no entanto, não deve dar qualquer detalhe sobre esse relacionamento e deverá continuar a negar que mentiu perante a Justiça, argumentando que, em seu depoimento no caso Paula Jones, negou ter tido relações sexuais com Lewinsky baseado na definição de relação sexual estipulada para o caso.
Já os advogados do presidente esperam uma certa insistência por parte do promotor independente Kenneth Starr e seus assessores para tentar forçar Clinton a dar algumas explicações sobre o caso. Apenas o presidente assumir que teve uma relação inapropriada com Lewinsky pode não satisfazer Starr, que deverá exigir explicações para outras respostas evasivas de Clinton no depoimento Paula Jones como se deu presentes para Lewinsky, se ficou sozinho com ela e como discutiram quando Lewinsky foi convocada a depor.
Ontem, o advogado de Clinton, David Kendall, divulgou uma nota oficial à imprensa afirmando que as notícias sobre o que o presidente vai dizer em seu depoimento são especulações infundadas. Há aparentemente uma enorme quantidade de especulação infundada sobre o testemunho do presidente amanhã. A verdade é a verdade. Ponto. E isso é que o presidente vai testemunhar, disse.
O testemunho de Clinton está marcado para começar às 13 horas (14 horas em Brasília) de hoje na Sala dos Mapas da Casa Branca. Estarão na sala, além de Clinton, seus advogados, David Kendall e Nicole Seligman, seu assessor, Charles Ruff, o promotor-independente Kenneth Starr e seus assessores, Jackie Bennett Jr., Robert Bittman e Michael Emmick. As 23 pessoas que formarão o júri de inquérito assistirão ao testemunho por meio de um circuito de câmeras internas.
Haverá um monitor na Casa Branca filmando o testemunho e uma TV em que os jurados assistirão simultaneamente na Corte de Justiça dos EUA. Se quiserem fazer alguma pergunta, poderão enviá-las a um promotor, que telefonará à Casa Branca, passando a pergunta à equipe de Starr.
Starr e seus assessores passaram o final de semana assistindo a depoimentos de testemunhas do caso e treinando as perguntas a ser feitas ao presidente. Clinton, no entanto, diferentemente de outras vezes em que depôs, como no caso Whitewater, desta vez não trabalhou exaustivamente com seus advogados em simulações do depoimento.
Na quinta-feira, Clinton deixou seus advogados esperando-o até 17 horas. Na sexta, preferiu passar a noite jogando cartas e jogo de palavras com amigos, anteontem, finalmente, reuniu-se com os advogados por cinco horas, mas pediu um intervalo para brincar com seu cachorro, Buddy. De acordo com assessores, o presidente estaria decidindo sozinho o que vai falar perante o júri e até onde vai contar sobre seu relacionamento com Lewinsky.
A vantagem de Kendall neste caso é que ele sabe quais serão as perguntas dos promotores e quais foram as respostas de outras testemunhas do caso, como os agentes especiais de Clinton e seu amigo, Vernon Jordan, graças a um acordo com os advogados dessas testemunhas que lhe passaram as informações sobre seus depoimentos. Quanto a o que Clinton irá dizer, segundo os assessores, isso ainda poderá mudar até as 13 horas de hoje.


