O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, iniciou ontem, na Nicarágua, uma visita de quatro dias pela América Central conversando com os sobreviventes dos piores desastres naturais já ocorridos na região e inspecionando os estragos deixados por eles nos países atingidos. Clinton levou apoios moral e material para as vítimas do furacão Mitch que passou pela Nicarágua, El Salvador, Honduras e Guatemala, países que sofreram também com terremotos nos últimos meses.
Ao desembarcar, o presidente foi recebido pelo seu colega da Nicarágua, Arnoldo Aleman. Os dois foram de helicóptero para Posoltega, a 120 quilômetros ao norte da capital, onde cinco povoados e mais duas mil pessoas foram enterrados pela lama que deslizou da montanha do vulcão de Casitas.
A primeira-dama Hillary Clinton não veio com o presidente ‘‘porque está com problemas de coluna’’, segundo comunicado oficial.
Ela tinha visitado a região em novembro para ver a devastação do Mitch, que deixou 26 mil mortos e desaparecidos, além de dois milhões e 300 mil desabrigados. Os prejuízos com a catástrofe são avaliados em sete milhões de dólares.
Clinton já pediu ao Congresso a autorização de uma ajuda adicional de 956 milhões de dólares para a América Central, o que deverá elevar o apoio total dos EUA para esta área devastada a um bilhão e 260 milhões de dólares.
Ontem à noite, Clinton seguiu para El Salvador e depois viajará a Honduras e Guatemala, onde participará de uma cúpula regional sobre a reconstrução deste país que teve a economia demolida pela passagem do Mitch.
Os déficits da balança comercial e os pagamentos das dívidas externas dos centro-americanos estão na agenda, além da questão da imigração para os EUA.
A chegada dele tem muito a ver com a decisão do governo de reiniciar o programa de deportação de imigrantes ilegais de El Salvador e da Guatemala.
As deportações estavam suspensas depois do furacão Mitch, num gesto de solidariedade com as economias regionais.
Os salvadorenhos formam a maior colônia estrangeira da América Central nos Estados Unidos, com um milhão e duzentas mil pessoas, do total de três milhões de centro-americanos. Ao todo, 280 mil cidadãos destes países podem ser deportados nos próximos meses.
O presidente da Guatemala Alvaro Arzu enviou uma carta de protesto para Clinton dizendo que esta é uma decisão ‘‘difícil’’ de entender. O presidente de El Salvador, Armando Calderon, que está deixando o poder, também expressou desagrado.

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