Clinton irá depor ao Grande Júri
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domingo, 26 de julho de 1998
France Presse 
France PresseAcusaçõesBill Clinton: primeiro presidente a comparecer à Câmara deASPEN - O promotor especial Kenneth Starr acelerou o ritmo de sua investigação sobre o caso Lewinsky ao enviar uma citação ao presidente norte-americano Bill Clinton para comparecer à Câmara de Acusações.
Starr enviou há alguns dias ao chefe de Estado uma citação para que ele compareça ante a Câmara Federal de Acusações (Grande Júri) que investiga sua relação com a antiga estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky, informou ontem uma fonte governamental.
Segundo a TV americana, que cita várias fontes envolvidas na investigação, a citação do promotor especial exige que o presidente preste depoimento sob juramento na próxima semana.
Apesar de ainda se negarem a confirmar oficialmente a informação, os conselheiros mais próximos de Clinton, que se deslocaram ontem para Aspen (Colorado), admitiram na sexta-feira que o advogado do presidente, David Kendall, reuniu-se com Kenneth Starr para determinar a modalidade e a duração do depoimento do chefe de Estado.
Kendall recebeu a ordem de trabalhar com Starr para encontrar o meio de entregar o Grande Júri as informações de que precisa, reforçou um dos conselheiros de Clinton, Rahm Emanuel, durante uma entrevista à rede de televisão NBC.
Para evitar um cara a cara com o promotor especial Kenneth Starr, a Casa Branca procura de todas as formas uma solução para que o chefe de Estado responda às perguntas de uma forma adequada ao cargo que exerce, ou seja, pretende evitar que Clinton testemunhe sob juramento ante um Grande Júri como as pessoas comuns fazem quando se apresentam à Justiça.
Clinton é o primeiro presidente americano da história a receber uma citação para comparecer ante o Grande Júri e será o primeiro chefe do Executivo em exercício a testemunhar em uma investigação que o envolve.
Esta perspectiva causou um intenso debate jurídico entre especialistas judiciais que divergem sobre se um presidente em exercício pode ser convocado a depor em um caso desta natureza. Os partidários de Clinton afirmam ser inconstitucional.
No âmbito político, esta última etapa do caso Lewinsky opõe os democratas e os republicanos.
A investigação começou há quatro anos e custou 40 milhões de dólares, informou ontem o chefe da bancada minoritária democrata na Câmara de Representantes, Richard Gephardt, ao ser entrevistado pela rede de televisão CBS.
É hora de concluir (a investigação), continuou Gephardt.
Do outro lado, o carismático republicano Orin Hatch, presidente da Comissão judicial do Senado, agitou as águas com uma eventual procedimento de destituição do presidente americano.
Seja como for, o final desta controvérsia, a citação dirigida ao presidente mostra que o promotor especial, após vários meses de discussões jurídicas e uma lista de depoimentos colhidos desde o início do ano, decidiu acelerar sua investigação.


