Clinton inicia visita histórica ao Vietnã
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sexta-feira, 17 de novembro de 2000
Associated Press De Hanói 
Ao iniciar ontem a primeira visita de um chefe de Estado americano a Hanói desde que as tropas dos EUA deixaram o Vietnã em 1975, sem conseguir derrotar o país, o presidente Bill Clinton disse que sua presença em território vietnamita representa uma nova página nas nossas relações com o Vietnã.
Embora a cerimônia oficial de boas-vindas esteja marcada para a manhã de hoje, entre 200 e 300 pessoas se reuniram diante de seu hotel na capital vietnamita para tentar ver Clinton. No aeroporto, em meio a rígidas medidas de segurança, as bandeiras americana e vietnamita tremulavam lado a lado.
A multidão, composta aparentemente por menores de 30 anos, saudou e aplaudiu a passagem da caravana de Clinton em direção ao centro, pouco depois da meia-noite. Estou muito emocionado, disse Cao Tien Hung, um estudante universitário de 22 anos.
Os vietnamitas estendiam a mão a qualquer pessoa que parecesse americana. Isto só acontece uma vez a cada mil anos, comentou Tran Thi Lan, de 50 anos.
No aeroporto, uma dúzia de oficiais militares abriram fileiras para saudar a chegada de Clinton, acompanhado da filha Chelsea. Cada um deles recebeu um ramalhete de flores de uma mulher vestida em traje típico, composto de túnica e calça, chamado dai. A esposa de Clinton, Hillary, já havia chegado a Hanói, procedente de Israel.
O presidente americano parou para conversar com um ex-prisioneiro de guerra, Pete Peterson, que é o atual embaixador americano no Vietnã, e sua esposa, a vietnamita Vi Le.
Acompanham Clinton, em sua histórica visita de três dias, um grande número de empresários ansiosos por abrir suas fábricas e vender seus produtos para um mercado de 78 milhões de vietnamitas. As conversações comerciais se misturarão com as lembranças da Guerra do Vietnã.
Como jovem, Clinton considerou a guerra um erro e participou de demonstrações contra a luta, escrevendo em 1969 que se tratava de um conflito ao qual ele se opunha e considerava lamentável. Ele evitou a convocação, embora depois a tenha aceito, mas ao participar de um sorteio ele retirou um número que o livrou de seguir para o front.
A guerra praticamente terminou com a retirada americana em 1973, seguida por dois anos de colapso do governo sul-vietnamita que os EUA tentavam preservar.
Atualmente, segundo o presidente americano, a melhor forma de honrar a memória dos americanos e vietnamitas que morreram na guerra é encontrar um modo de construir um futuro melhor e é isso que estamos tentando fazer.


