France Presse
De Washington
O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, pediu nesta quinta-feira à Indonésia que permita o envio de uma força internacional de paz a Timor Leste para garantir a segurança neste território e acusou Jacarta e não conseguir reprimir os ‘‘graves abusos’’.
‘‘Se a Indonésia não acabar com a violência, tem que aceitar a ajuda da comunidade internacional para restaurar a segurança’’, afirmou Clinton.
O presidente dos Estados Unidos indicou que ainda não tomou qualquer decisão sobre a participação norte-americana em uma eventual força de paz na região, mas destacou que realiza consultas junto ao Congresso e à Austrália.
‘‘Creio que deveríamos apoiá-los de maneira apropriada’’, disse Clinton sem dar detalhes.
O presidente norte-americano, que deve participar na Nova Zelândia da reunião do Foro de Cooperação Ásia Pacífico, declarou que este encontro será marcado pela crise em Timor Leste e pela estabilidade econômica em países-chave como a Indonésia.
‘‘Justamente porque o futuro da Indonésia é importante, estou profundamente preocupado com o fracasso de seu exército em acabar com os abusos que ocorrem em Timor Leste’’.
O presidente não falou sobre eventuais sanções econômicas norte-americanas contra a Indonésia, mas advertiu que o país já sofre um duro golpe com a crise timorense.
‘‘Seria uma lástima ver a recuperação (econômica) da Indonésia abalada’’ pela crise em Timor Leste, concluiu Clinton.
Os Estados Unidos suspenderam ontem as relações militares com a Indonésia, em protesto contra a incapacidade do exército indonésio de deter a violência no Timor Leste, anunciou o subsecretário de Estado, Thomas Pickering.
Ele acrescentou que ‘‘não seria apropriado manter um contato militar operacional num momento em que atribuímos ao exército da Indonésia a culpa por esta tragédia’’.
A Indonésia impôs a lei marcial no país terça-feira, numa tentativa de frear a violência selvagem que explodiu logo depois que o Timor Leste decidiu sobre sua independência, no plebiscito de 30 de agosto.
Segundo Pickering, as condições na Indonésia não melhoraram significativamente.
O almirante Dennis Blair, comandante das forças americanas no Pacífico, notificou o chefe militar indonésio, general Wiranto, da decisão dos Estados Unidos.
‘‘É simplesmemente inoportuno continuar nossa cooperação militar com o exército indonésio que, do nosso ponto de vista, não está fazendo o suficiente para deter a violência em Timor Leste’’, precisou Blair.
Esta cooperação é reduzida. O porta-voz do departamento de Estado, James Rubin, afirmou quarta-feira que Washington não tinha um programa de ajuda militar para a Indonésia, exceto um plano de US$ 476 mil para a formação de ‘‘um pequeno número de pessoas que vêm de visita ou para seminários’’.
O almirante disse que o exército da Indonésia tem capacidade de conter a violência em seu território, ‘‘mas não o faz’’.

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