O presidente americano, Bill Clinton, chegou ontem a Xangai depois da parte crucial de sua visita de nove dias à China, com um apelo à liderança chinesa e às jovens gerações para uma nova relação com uma China mais livre.
Dirigindo-se aos estudantes da Universidade de Pequim em um dos discursos mais longos de sua visita, Clinton pediu com insistência a Pequim que ratifique o futuro do país como uma superpotência econômica, permitindo maiores liberdades civis no século 21.
‘‘Vim hoje aqui para falar a vocês, a nova geração de líderes chineses, da crítica importância em nosso futuro que tem criar uma relação forte entre China e Estados Unidos’’, disse Clinton.
‘‘No amanhecer de um novo século, esta universidade está liderando a China rumo ao futuro’’, assinalou, sob os aplausos dos estudantes do centro de ensino mais prestigiado do país.
O primeiro presidente americano que visita a China, desde o massacre de centenas de estudantes e trabalhadores pró-democracia em junho de 1989, expressou sua esperança de que seu giro de nove dias pressagie uma nova era nas relações sino-americanas.
O discurso na universidade, que formou a maioria dos dirigentes chineses e numerosos dissidentes (foi o berço do movimento democrático em 1989), foi transmitido ao vivo pela televisão chinesa.
Clinton tratou de maneira aberta do tema tabu dos direitos humanos pela segunda vez em três dias, permitindo que centenas de milhões de chineses ouvissem como o dirigente americano manifestava suas divergências políticas publicamente.
Entretanto não mencionou o massacre de Tiananmen, que abordou com o presidente chinês, Jiang Zemin, numa transmissão ao vivo sem precedentes, depois de seu encontro de sábado.
Mas enquanto pedia o fim da repressão, as autoridades de Xangai detiveram um ativista pró-democrático que aproveitou a viagem de Clinton para criar um partido de oposição. Wang Yucai foi detido na cidade oriental ontem, horas antes de o presidente americano chegar a Pequim. Os dirigentes americanos não foram informados imediatamente do incidente, mas assinalaram que pressionavam a China para que não cometa abusos desse tipo.
A China se encontra no amanhecer de uma nova era e deve se recolocar sua identidade, sua política em relação à sua população e sua posição no mundo, com vistas a ocupar seu lugar como uma potente e próspera nação no futuro, disse Clinton.
Apesar de uma longa e ilustre história, a China terá que se adaptar à nova era ou se arriscar à estagnação e naufragar como a ex-União Soviética, assinalou Clinton, pedindo aos estudantes que pressionem a favor do progresso.
Advertindo sobre os desafios que enfrentará a China e o mundo perante a globalização, inclusive os efeitos contagiosos da crise financeira, o crime, tráfico de drogas e o desemprego, Clinton fez seu discurso previamente preparado e improvisou algumas frases.
‘‘A sua geração tem que fazer mais. Este é um grande desafio para vocês, para o povo americano e para o futuro do mundo’’, assinalou.

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