Clinton explica plano para a Colômbia
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terça-feira, 29 de agosto de 2000
Agência Estado De Washington 
O presidente Bill Clinton resumiu ontem à noite, numa mensagem ao povo da Colômbia, o objetivo da viagem de algumas horas que fará hoje ao país andino. Trata-se, disse Clinton, de deixar claro, com sua presença, que os Estados Unidos estarão com os colombianos e transmitir-lhes uma mensagem de solidariedade no momento em que travam uma luta de vida ou morte contra o narcotráfico e a guerrilha e pela sobrevivência da democracia.
Por óbvios motivos de segurança, o presidente americano não irá à capital, Bogotá, e limitará sua visita de nove horas ao porto de Cartagena de Índias, um dos principais pontos de saída usadas pelo narcotráfico. A Colômbia fornece cerca de 90% da cocaína consumida pelos estimados 12 milhões de americanos que usam drogas regularmente e são a principal fonte dos bilhões de dólares movimentados anualmente pelos traficantes.
Na semana passada, Clinton sancionou lei autorizando US$ 1,6 bilhão em ajuda à Colômbia nos próximos dois anos. Mais de 80% desses recursos destinam-se à compra de 60 helicópteros e ao treinamento de dois batalhões do exército em operações oficialmente apresentadas como de apoio às forças policiais no trabalho de erradicação das plantações de coca no sul do país. Já estão na Colômbia os primeiros conselheiros militares americanos, de um total de umas poucas centenas que deverão ser enviados nos próximos meses.
O presidente da Câmara, o republicano Dennis Hastert, e o senador democrata Joseph Biden encabeçam uma delegação bipartidária de congressistas que acompanha Clinton para sublinhar o apoio americano ao Plano Colômbia, o programa de US$ 7,5 bilhões de combate ao narcotráfico e reconstrução institucional que foi desenhado em Washington.
O fato de os EUA apoiarem o Plano Colômbia nos meses finais da atual administração é apenas um dos fatores que geram dúvidas e preocupação sobre as chances de sucesso da operação, entre os críticos da ajuda em Washington e na maioria das capitais sul-americanas. Há uma contradição entre o propósito alegado para a ajuda e a estrutura do pacote de assistência, que está quase todo voltado para a erradicação da coca e o combate ao narcotráfico, disse Michael Shifter, especialista em países andinos no Diálogo Interamericano.
Para Shifter, a estratégia por trás da ajuda peca pela falta de uma perspectiva mais ampla, que responderia inclusive às preocupações dos países vizinhos da Colômbia e representa uma maneira de os EUA sentirem-se bem e pensar que estão sendo firmes quando, na verdade, não existe nenhuma perspectiva realista de sucesso.
Como não parece haver dúvida sobre a capacidade da guerrilha colombiana, que não sofre por falta de recursos, de responder à escalada militar apoiada pelos Estados Unidos, como já anunciou que fará, uma das perguntas feitas em Washington é qual será a reação do sucessor de Clinton, que toma posse em janeiro próximo, quando os helicópteros fornecidos pelos EUA começarem a ser derrubados ou se conselheiros militares americanos forem mortos. Aí é que podemos entrar num declive escorregadio, diz Shifter. Ele acha pouco apropriadas, no entanto, as analogias com o Vietnã ou com El Salvador.


