O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, chegou ontem à Europa para visitar o comando da Otan em Bruxelas e as bases americanas na Alemanha, onde exortou os soldados a não ter ‘‘piedade alguma’’ para com o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic.
Depois de uma rápida visita à sede da aliança, onde recebeu detalhes da campanha militar da Otan na Iugoslávia, Clinton seguiu para as bases de Spangdahlem e Ramstein, na Alemanha, a fim de animar as tropas lá estacionadas.
‘‘Lutamos contra as atrocidades em Kosovo e os ataques da Otan na Iugoslávia serão intensificados sem piedade até que alcancem os objetivos estabelecidos e enquanto Milosevic não ceder’’, disse Clinton perante as tropas americanas num candente discurso patriótico que provocou grandes ovações entre os presentes.
O presidente americano rendeu homenagens aos pilotos mortos durante o acidente de um helicóptero Apache na Albânia. ‘‘Perdemos dois valentes americanos. Rezemos com suas famílias’’, pediu.
Clinton, que deixava transparecer bom humor e cujas palavras deixavam transparecer emoção, agradeceu aos soldados destacados nas bases alemãs pelo esforço que realizam nos Bálcãs.
Os 5.000 soldados de Spangdahlem e suas famílias reagiram com júbilo quando foi tocado o hino nacional americano e um mar de bandeiras nacionais foi lançado ao ar. ‘‘Estão longe de nossa costa mas perto de nosso coração. Obrigado a todos e a suas famílias’’, acrescentou Clinton.
Em tom patriótico, o presidente não economizou ataques contra Milosevic e definiu como ‘‘intolerável’’ a situação atual em Kosovo. Segundo Clinton, a ação da Otan não é uma guerra de conquista, mas sim uma luta pela defesa dos princípios de humanidade que unem a comunidade internacional.
Clinton disse que nos últimos dois meses os sérvios deportaram 1,5 milhão dos 1,8 milhão de albaneses que viviam em Kosovo, o equivalente a toda a população do estado de Nebraska e, segundo ele, ‘‘uma afronta a tudo aquilo pelo que lutamos’’. Clinton transferiu-se depois para a base de Ramstein, onde conversou com os três soldados americanos capturados pelos sérvios e que Belgrado libertou no domingo. ‘‘Estamos felizes por tê-los aqui de novo’’, disse-lhes o presidente.

mockup