Clinton enfrenta fatores que complicam a decisão
O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, tem de pesar possíveis benefícios políticos de curto-prazo e a sensibilidade e preocupações muçulmanas para a estabilidade a longo prazo do Oriente Médio diante de uma ação militar contra o Iraque. Um relatório da ONU acusando Bagdá de ter quebrado sua promessa de cooperar inteiramente com inspeções de armas é o estopim para os ataques aéreos sem prévio aviso que Clinton ameaçou quando abortou uma campanha de bombardeio no último minuto em novembro.
Mas existem fatores complicantes - a batalha de Clinton contra o impeachment na Câmara dos Representantes, a sensibilidade muçulmana em relação a qualquer ação militar durante o mês sagrado do Ramadan, que começa no fim de semana, e a renovada intransigência de Israel no processo de paz do Oriente Médio.
France PresseRetiradaO pessoal da ONU deixa Bagdá horas antes do ataque dos Estados UnidosAnalistas afirmam que uma resposta militar não irá resolver a falta de uma estratégia política de longo prazo do Ocidente para o Iraque.
Poderia haver um ataque limitado para restaurar a credibilidade da ameaça do uso da força, mas eu não acho que uma ação sustentada seja possível durante o Ramadan, afirmou Mustafa Alani, um especialista em assuntos iraquianos.
As Nações Unidas retiraram ontem seus inspetores de armas do Iraque, depois que o chefe deles, Richard Butler, relatou que a conduta de Bagdá tem impedido progressos no desarmamento e na investigação sobre antigos programas de armas químicas e biológicas.
Eventos domésticos em Washington devem pesar na decisão.
Clinton está perseguindo uma estratégia de última hora para evitar a aprovação do processo de impeachment na Câmara dos Representantes por causa de seu affair com a estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky.
O ataque levará inevitavelmente os críticos domésticos e do mundo árabe a acusá-lo de estar tentando distrair todos do escândalo de sexo e perjúrio, assim como fizeram quando ele disparou mísseis de cruzeiro contra o Sudão e Afeganistão em agosto em retaliação a ataques a bomba contra embaixadas americanas na África.
Por outro lado, a opinião pública provavelmente irá ficar do lado de um presidente agindo com dureza contra o presidente iraquiano, Saddam Hussein.
Apesar de não haver um estrito tabu sobre combater durante o Ramadan, o mês no qual os árabes jejuam do amanhecer ao pôr-do-sol, potências ocidentais bombardeando um país muçulmano durante o período provocariam um profundo desconforto político.
Governo árabes pró-ocidentais poderiam enfrentar problemas nas ruas se os Estados Unidos e a Grã-Bretanha bombardearem o Iraque durante um mês de grande fervor religioso popular.
As pessoas vão às mesquitas todos os dias. Os imãs pregam sermões diariamente. Poderia haver manifestações na Jordânia, Egito, Cisjordânia e mesmo alguma coisa na Arábia Saudita. É um negócio muito arriscado, disse Alani.
Washington poderia também receber duras críticas da França e Rússia, os principais defensores do Iraque no Conselho de Segurança da ONU.France PresseAtaquesBagdá sofreu a onda de bombardeios durante a madrugada de hojePaul Taylor
Reuters





