Bill Clinton ou Saddam Hussein? A imprensa britânica se pergunta qual dos dois chefes de Estado cairá primeiro: o americano, alvo do caso Lewinsky, ou o segundo, vítima da operação ‘‘Raposa do Deserto’’. A maioria dos jornais destaca a incrível situação: por um lado o comandante das Forças Armadas americanas está ameaçado pelo processo de ‘‘impeachment’’, enquanto seu país está dirigindo uma ação militar no Iraque com a esperança de assistir a uma mudança de regime em Bagdá.
‘‘Condenados’’, titulou o tablóide britânico The Sun, em sua primeira página com as fotos dos dois líderes. ‘‘Mas, quem será o primeiro a cair?’’, pergunta o jornal mais lido na Grã-Bretanha, antes de fazer prognóstico favorável ao homem forte de Bagdá.
‘‘A hora de partir chegou para os mentirosos’’, informou o jornal.
‘‘Seria uma ironia suprema se Clinton fosse destituído, enquanto Saddam continua no poder. Mas é um preço que Clinton deve pagar por ter traído seu país’’, estimou o The Sun.
O jornal de centro-esquerda The Guardian seguiu os prognósticos do jornal popular em sua primeira página: ‘‘Dois presidentes em risco, mas quem cairá primeiro?’’
O jornal conservador Daily Mail criticou energicamente o presidente americano: ‘‘Enquanto William, o astuto, está em festa, as bombas continuam caindo’’, escreveu o jornal na legenda de uma foto da recepção de fim de ano na Casa Branca.
O Mail denunciou o show ‘‘sórdido e surrealista’’ oferecido por Washington.
A maioria dos jornais continua, no entanto, apoiando o princípio da intervenção militar, embora o Daily Telegraph tenha estimado que o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, sofrerá as consequências de seu apoio incondicional a um presidente americano enrolado no caso Lewinsky.

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