Entre aplausos e gritos de ‘‘queremos Bill’’, milhares de pessoas receberam ontem o ex-presidente Clinton para a inauguração oficial de seu escritório pós-Casa Branca no Harlem, o tradicional bairro negro de Manhattan.
‘‘Sinto-me em casa. É uma honra estar no Harlem. Vocês sempre me apoiaram’’, disse Clinton à multidão depois de ter sido apresentado pela atriz Cicely Tyson.
‘‘Não recebemos um ex-presidente. Recebemos Bill Clinton, que continua na posição de um dirigente internacional em uma comunidade internacional’’, disse o deputado Charles Rangel, natural do bairro.
A cerimônia teve aspectos de um ato de campanha, com cartazes, bexigas e fotografias do ex-mandatário.
O novo escritório, de 771 metros quadrados, dispõe de um sala para reuniões, despensa e um banheiro privativo com chuveiro. Há também uma recepção, sala de conferências e uma pequena área para os funcionários. O novo local de trabalho de Clinton, pelo qual os contribuintes norte-americanos pagarão anualmente US$ 261.450 apenas de aluguel, encontra-se no 14º andar de um prédio totalmente reformado. As contas, incluindo luz e condomínio, deverão somar US$ 354.000.
A presença de um ex-presidente é considerada um sucesso para os dirigentes do Harlem, uma comunidade em plena revitalização depois de anos de deterioração causada pela delinquência e o tráfico de drogas.
Entretanto, nem todos estão felizes. Os críticos dizem que a presença de Clinton é um exemplo do aburguesamento do Harlem, que eleva os aluguéis e expulsa do bairro velhos moradores e comerciantes.

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