Clinton e Bóris Yeltsin continuam no comando
O início do segundo mandato do presidente Bill Clinton, nos Estados Unidos, produz novas expectativas no mundo em 1997. Clinton, que nos primeiros anos de seu mandato perdeu muito prestígio, reverteu a tempo a curva de queda para ganhar com folga do seu rival republicano e garantir mais quatro anos na Casa Branca. Curiosamente, o que deu maior força à candidatura do presidente foi uma postura muito conservadora, mais perto até dos postulados do Partido Republicano. E o fato de convidar para seu novo gabinete membros desse partido indicam que vai mudar bastante a linha de governo.
Ao lado de Clinton no cenário mundial ressurge a figura de Bóris Yeltsin, o também reeleito presidente russo, que parecia nos últimos meses quase fora do cenário e até da vida, em consequência de sérias complicações de saúde. Submetido a uma arriscada cirurgia cardíaca, Yeltsin retornou à cena no final deste mês e está dando mostras de vitalidade suficiente para enfrentar o desafio de reorganizar a economia da antiga potência mundial. O presidente russo está sendo firme, por exemplo, na condução das negociações para pôr fim ao sequestro de empresários e personalidades internacionais pelo MRTA em Lima, no Peru. Foi a intervenção de Yeltsin que levou o G-7 a se posicionar ante a crise que ainda continua naquele país.
Clinton e Yeltsin, bem dispostos e ativos, podem dar boa contribuição no Oriente Médio, onde o radicalismo ameaça rebrotar depois de todo o trabalho de pacificação feito por Yitzhak Rabin e Shimon Peres, além do próprio Clinton e de Yasser Arafat. O novo governo israelense, comandado pelo direitista Benjamin Netanyahu, está tornando difíceis os entendimentos com os palestinos e o temor de que as coisas possam se complicar nos próximos meses é muito grande.
Mas nem tudo é crise no Oriente Médio. O Iraque começa a ser reintegrado à comunidade mundial, com a autorização para retomar as exportações de petróleo, e isso é bom para o mundo. Os radicais têm que aprender a viver em sociedade e o mundo vai se beneficiar porque os preços do petróleo devem se manter estáveis. A oferta maior evitará eventuais pressões dos produtores.
Já a tragédia africana, no Zaire e seus vizinhos, parece difícil de se resolver. Centenas de milhares de refugiados continuam a vagar sem rumo pela região dos Lagos e a morrer de fome. A miséria e a doença fazem o pano de fundo para uma continuada escalada do genocídio que provoca reações de horror, mas não encontra soluções práticas.
A Organização das Nações Unidas inicia uma nova fase em sua história, com a posse do ganense Kofi Annan como secretário-geral. Conhecido como homem de diálogo, um diplomata que fez carreira na ONU, Annan anuncia importantes mudanças e evidencia conhecer o papel que o organismo pode realizar como agente mantenedor do entendimento entre os povos. Como tem o apoio direto do governo dos Estados Unidos, que vetou a reeleição de Butros-Ghali, o novo secretário-geral pode realizar um trabalho melhor à frente do organismo. A ONU sofre com dificuldades de orçamento, decorrentes, entre outras coisas, das pressões dos norte-americanos, os maiores responsáveis pela manutenção da organização.





