Clinton e Blair são condenados à prisão
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quinta-feira, 21 de setembro de 2000
Associated Press e France Presse De Belgrado 
Se viajarem para a Iugoslávia, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e sua secretária de Estado, Madeleine Albright, serão presos para cumprir 20 anos de cadeia. A mesma sentença foi ditada contra os líderes da Grã-Bretanha, França, Alemanha e outros da OTAN.
Desta forma foi concluído um julgamento num tribunal de Belgrado de 14 responsáveis pelos 78 dias de bombardeios promovidos pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) contra a Iugoslávia (Sérvia e Montenegro).
Os réus, julgados à revelia, foram sentenciados a 20 anos de prisão. A sentença foi emitida menos de 72 horas antes das eleições gerais na Federação Iugoslava, nas quais o presidente Slobodan Milosevic tentará se reeleger depois de permanecer 12 anos no poder.
Além de Clinton e Albright, foram condenados o primeiro-ministro britânico, Tony Blair; o chanceler alemão, Gerhard Schoreder; o primeiro-ministro e o presidente da França, Lionel Jospin e Jacques Chirac; e o ex-secretário-geral da OTAN Javier Solana.
Também foram condenados ministros da Defesa e das Relações Exteriores dos países da OTAN. Foram emitidas contra os condenados ordens de prisão e talvez também será pedida a extradição deles.
Os familiares das vítimas dos bombardeios da OTAN foram aconselhados a entrar com ações cíveis.
Os juízes também condenaram os acusados a pagar as custas processuais, sob pena de sequestro judicial de seus bens.
O processo havia sido iniciado na segunda-feira com grande publicidade como parte da campanha para as eleições de domingo.
Cada um dos acusados tinha uma cadeira com seu nome e um advogado público de defesa, que não se esforçou muito para inocentar seus clientes ele acabou dizendo que gostaria de ver todos os líderes da OTAN fuzilados.
Os 14 acusados foram declarados culpados por ter ordenado a agressão contra a Iugoslávia, cometido crimes contra a população civil, utilizado munições proibidas e atentado contra a vida do presidente, Slobodan Milosevic, além de terem violado a integridade territorial do país.
O tribunal os declarou culpados de todos os pontos da acusação e afirmou que as penas seriam aplicáveis a partir do dia da prisão dos condenados.
Na segunda-feira, o promotor Andrija Milutinovic leu, durante três horas, a ata de acusação e lembrou os nomes das 890 vítimas dos bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN): 503 eram civis (entre eles 88 crianças), 240 membros das Forças Armadas iugoslavas e 147 policiais sérvios.
O processo foi concluído a poucos dias das eleições consideradas cruciais para o futuro da Iugoslávia.
Já o Tribunal Penal Internacional (TPI) encarregado de julgar os crimes de guerra cometidos na ex-Iugoslávia, absolveu de qualquer crime de guerra os países-membros da OTAN, acusados por Belgrado.
A Iugoslávia, várias organizações de defesa dos direitos humanos e parlamentares russos acusaram várias vezes a OTAN de ter realizado crimes de guerra ao bombardear civis durante os bombardeios.


