Clinton descarta apelo para renunciar
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quarta-feira, 19 de agosto de 1998
Das agências 
O presidente americano, Bill Clinton, recusou apelos à sua renúncia e espera cumprir seu programa político nos dois últimos anos de seu mandato, informou ontem seu porta-voz. O presidente acha que lhe resta muito a fazer pelo povo americano, declarou Michael McCurry em Marthas Vineyard (Massachusetts), onde o presidente está de férias com a família.
Indagado se admitia a possibilidade de renunciar, o porta-voz respondeu: não.
O dirigente republicano Tom Delay instou Clinton a renunciar, depois de sua confissão pública de que enganou seus compatriotas ao negar sob juramento sua aventura extraconjugal com a ex-estagiária da Casa Branca, Mônica Lewinsky. Também o representante Paul McHale, correligionário de Clinton no Partido Democrata, pediu a renúncia do presidente.
O presidente mentiu sob juramento. Não podemos tolerar isto de nenhum presidente se quisermos conservar um Estado de direito, afirmou.
Mais da metade dos entrevistados em uma pesquisa divulgada ontem, feita pela CNN/USA Today/Gallup, indica que o presidente Bill Clinton é digno de confiança o suficiente para permanecer na Casa Branca.
Uma pesquisa da Gallup, divulgada na segunda-feira à noite, apontou queda para 40% (de 60% anteriores) no apoio ao presidente imediatamente após seu testemunho. No trabalho, realizado segunda-feira à noite, os entrevistados foram questionados a julgar Clinton como cidadão comum. Esta frase não havia sido incluída nas pesquisas anteriores ao testemunho de Clinton.
Quando a pergunta foi feita novamente na terça-feira à noite, as respostas favoráveis somaram 55% do total. A aprovação a Clinton como presidente permaneceu estável, entre 69% dos pesquisados, na pesquisa Gallup.
Metade do público que assistiu ao pronunciamento disse que estava satisfeito com a explicação do presidente, enquanto apenas um terço afirmou acreditar que Clinton havia dito a verdade diante do Grande Júri.
Cerca de dois terços dos norte-americanos (69%) querem o fim das investigações na pesquisa da ABC News, 65% na pesquisa da CNN/USA Today/Gallup e 63% na pesquisa da CBS News/New York Times. Todas foram realizadas após o testemunho do presidente dos EUA.
Entretanto, apesar dos resultados das pesquisas de opinião, analistas democratas e conservadores concordaram ontem que a possibilidade de remoção de Clinton da presidência, seja pelo impeachment, seja pela renúncia, continua aberta, dependendo dos desdobramentos da questão nas próximas semanas, não devendo ser subestimada.


