Clinton defende reconciliação com Irã
O presidente norte-americano, Bill Clinton, defendeu ontem uma autêntica reconciliação com o Irã, e afirmou que queria poder apoiar as mudanças positivas realizadas no país. O que desejamos é uma autêntica reconciliação com o Irã baseada na (...) reciprocidade, destacou o presidente norte-americano, em entrevista à imprensa, na Casa Branca.
Bill Clinton estimou que os iranianos deviam, para isso, mostrar disposição de não mais apoiar o terrorismo, de não armazenar armas perigosas e não mais se oporem ao processo de paz no Oriente Médio.
Os Estados Unidos acusam o Irã de dar continuidade a seus programas de armamentos de destruição em massa.
Pensamos que o Irã está mudando positivamente e queremos apoiar isto, acrescentou Clinton.
O presidente evocou o discurso, de quarta-feira, da secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, dedicado às relações com Teerã.
Em discurso em Nova York, Madeleine Albright reconheceu as mudanças experimentadas no Irã desde a eleição, em maio de 1997, do presidente moderado Mohamed Khatami, e estimou que os dois países deveriam buscar meios de restabelecer a confiança mútua.
Os gestos positivos de Teerã serão recebidos positivamente pelos Estados Unidos, declarou ontem o porta-voz da Casa Branca, Michael McCurry.
Reação em Teerã O Irã saúda o tom positivo da proposta norte-americana de normalização de relações entre os dois países, mas espera atos concretos, disse o embaixador iraniano na ONU, Hadi-Nejad Hosseinian, citado ontem pela televisão estatal.
Hosseinian saudou o tom positivo que tem aparecido nos Estados Unidos, mas destacou que deve ser acompanhado por atos concretos.
A televisão apresentou em seu telejornal das 14 horas locais (6h30 de Brasília) imagens da secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, e falou de uma nova proposta de normalização por parte dos Estados Unidos.
Trata-se da primeira reação iraniana à proposta feita quarta-feira por Albright num discurso pronunciado em Nova York.
Dada a diferença de fuso horário, a imprensa escrita iraniana não teve tempo de dar conta ontem da proposta norte-americana. A rádio tampouco a mencionou até as primeiras horas da tarde.
O ministro iraniano das Relações Exteriores Kamal Kharazi se encontra em Madri, onde chegou ontem em visita oficial de dois dias.
Irã e Estados Unidos romperam relações diplomáticas em abril de 1980. A ruptura foi provocada pela tomada de reféns na embaixada norte-americana em Teerã, que começou em novembro de 1997, meses depois do triunfo da revolução islâmica, e durou 444 dias, durante os quais estiveram presos no edifício 52 membros do pessoal da embaixada, que só foram libertados em janeiro de 1981.
Num discurso pronunciado na Asia Society de Nova York, Albright reconheceu quarta-feira as mudanças ocorridas no Irã desde a eleição, em maio de 1997, do presidente Mohamed Khatami, partidário de uma política de moderação, e estimou que os dois países devem buscar os meios de restabelecer a confiança mútua.
Se um processo semelhante pode ser iniciado e mantido de forma tal que aborde as preocupações das duas partes, então nós e os Estados Unidos poderemos ver a perspectiva de uma relação muito diferente (entre os dois países), disse.
Khatami defendeu em 7 de janeiro um aumento dos intercâmbios culturais, esportivos e turísticos entre o Irã e os Estados Unidos a fim de abrir uma brecha no muro da desconfiança que separa os dois países.
- Leia na página 3 da Folha da Copa noticiário sobre as medidas de segurança adotadas com vistas ao jogo entre Irã e Estados Unidos, domingo, pela Copa do Mundo.





