Apesar dos resultados aparentemente modestos, o presidente norte-americano Bill Clinton partiu da China ontem à noite com o sentimento de ter cumprido sua missão e convencido de que a visita terá consequências positivas duradouras nas relações sino-norte-americanas e na evolução interna do país.
O presidente norte-americano disse ter certeza de que a chegada da democracia à China é agora, apenas, uma questão de tempo. Destacou a formidável melhoria das relações bilaterais, e a vontade dos dois governos de encerrar o capítulo da repressão aos disidentes na Praça da Paz Celestial e dar prioridade ao que os une mais.
A viagem de Clinton, primeiro presidente norte-americano a visitar a China desde o massacre de estudantes, em 1989, foi a mais polêmica e a de maior risco político desde sua chegada ao poder. Acusado em seu país, tanto pela direita quanto pela esquerda, de debilidade ante o regime de Pequim, Clinton tinha que fazer o possível para não voltar com as mãos vazias e assim convencer seus detratores da validade de sua política de diálogo e cooperação com a China.
Um de seus principais objetivos era mudar a imagem muito negativa que os norte-americanos têm da China, mostrando-lhes que o país está mudando e que existe atualmente uma China moderna, dinâmica e que trilha o caminho da democracia.
Clinton contou também com a ajuda do presidente chinês Jiang que, consciente dos riscos políticos do presidente ao desafiar a oposição republicana (conservadora) e os meios progressistas para vir à China, fez os gestos necessários para que Clinton garantisse o sucesso de sua visita.
O principal gesto foi a decisão de Jiang de autorizar a transmissão, ao vivo, dia 27 de junho, da entrevista conjunta à imprensa dos dois líderes, com um espaço dado ao debate sobre temas considerados tabu, relacionados aos direitos humanos e ao massacre de Tiananmen, o que foi considerado único na história.
Os dirigentes norte-americanos acham que se tratou de uma grande virada, porque o regime chinês já não pode mais voltar atrás.
Incidente O presidente Bill Clinton, sua mulher, Hillary, e agentes do serviço secreto ficaram presos ontem em um elevador do Centro de Convenções de Hong Kong por dez minutos.
Aparentemente, um raio causou uma sobrecarga elétrica, desativando o computador que controla o elevador. Um gerador de emergência fez com que o elevador, que estava entre dois andares, descesse, mas seus ocupantes não conseguiram abrir as portas.
Os agentes de segurança pediram ajuda por meio de seus rádios portáteis e depois de dez minutos as portas foram abertas. Segundo um porta-voz presidencial, ‘‘ninguém ficou preocupado e o presidente estava tranquilo’’.

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