France PresseClinton dança com sua esposa num dos bailes comemorativos à posseWASHINGTON - ‘‘A divisão racial tem sido a maldição constante da América, e cada nova onda de imigrantes fornece novos alvos para velhos preconceitos’’. Se o discurso que o presidente Bill Clinton fez na segunda-feira, depois de tomar posse pela segunda vez, for lembrado no futuro pelos historiadores, será provavelmente pelo trecho que ele dedicou ao problema racial nos Estados Unidos. ‘‘O preconceito e o desdém disfarçados na pretensão das convicções políticas ou religiosas não são diferentes’’, disse o líder americano num raro momento em que conseguiu elevar sua fala acima das mundanidades.
‘‘Essas forças quase destruíram nossa nação no passado. Elas ainda nos flagelam. Elas alimentam o fanatismo do terror e atormentam as vidas de milhões em nações divididas ao redor do mundo. Essas obsessões atrofiam tanto os que odeiam como, é claro, aqueles que são odiados, roubando ambos daquilo que eles poderiam ser’’, afirmou o presidente americano, numa cerimônia animada em parte por membros dos corais de algumas das dezenas de igrejas negras do sul dos EUA que foram incendiadas nos últimos anos.
Falando, por coincidência, no dia em que os Estados Unidos celebravam também um feriado nacional que homenageia Martin Luther King, o mártir dos direitos civis, Clinton conclamou o país a enfrentar o racismo com uma razão prática. ‘‘Nossa rica textura de diversidade racial, religiosa e política será uma dávida de Deus no século XXI’’, referindo-se à vantagem natural que nações capazes de transitar em diferentes culturas terão na economia globalizada do futuro. ‘‘Grandes recompensas virão para aqueles que forem capazes de viver juntos, aprender juntos, trabalhar juntos e forjar novos laços que os unam’’, disse ele.
‘‘Creio que ele elevou sua mensagem na parte em que falou sobre o problema racial’’, comentou o historiador negro Roger Wilkins. ‘‘É fácil para negros e brancos educados e bem-sucedidos aceitar a mensagem em viver em harmonia, mas o problema é o que fazer com as crianças negras em Los Angeles, as crianças brancas dos Apalaches, e as crianças hispânicas nas cidades do Texas que nascem e crescem na pobreza’’, continuou.

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