Clinton cita exemplo de Brasil e Argentina
Clinton cita exemplo
de Brasil e Argentina
Paulo Sotero
Agência Estado
Empenhado em convencer a Índia e o Paquistão a não desencadearem uma desestabilizadora corrida nuclear no sul da Ásia, o presidente Bill Clinton apontou ontem em Londres o acordo de renúncia de armas nucleares que o Brasil e a Argentina assinaram no início da década como o caminho a seguir. Mas, nas Américas, acreditamos que (o Brasil e a Argentina) são países enormemente importantes e os temos em maior consideração, e não em menor, porque eles desistiram de suas armas nucleares.
A declaração do presidente do norte-americano, feita após reunião de cúpula com a União Européia, ocorreu antes de o Brasil associar-se claramente ao repúdio internacional aos testes atômicos conduzidos pela Índia na semana passada denunciando o acordo de cooperação nuclear para fins pacíficos que assinou com o governo de Nova Délhi, no ano passado - uma decisão que sublinhou o argumento usado por Clinton e certamente aumentou o capital político do governo brasileiro nos EUA e nas capitais das nações industrializadas.
Lembrem-se que não faz muito tempo que o Brasil e a Argentina tinham programas nucleares, começou Clinton, retomando um argumento que usara pela manhã numa conversa de 30 minutos que ele e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, tiveram com o chefe do governo do Paquistão, Nawaz Sharif, para tentar demovê-lo da idéia de responder às explosões nucleares da Índia.
Mas o Brasil e a Argentina simplesmente disseram: não vamos fazer isso, não vamos correr o menor risco de que algum futuro desentendimento entre nós possa levar a algum tipo de explosão (atômica). Não vamos enterrar vastas quantias de nossos tesouros nacionais nisso (os programas de armas nucleares) quando temos tantas pessoas pobres em nossos países e precisamos desse dinheiro liberado para outras coisas. Vamos encontrar outros meios, em primeiro lugar, de garantir nossa segurança e, em segundo lugar, de nos considerarmos e sermos considerados por outros como grandes nações. E eu diria que é justo dizer que o Brasil e a Argentina conseguiram isso.
Clinton lembrou que ambos os países têm mais prestígio internacional hoje do que tinham na época em que desenvolviam programas nucleares secretos e notou que sua segurança não ficou mais ameaçada depois que renunciaram a desenvolver bombas atômicas. O Brasil e a Argentina têm forças militares vigorosas e se sentem mais seguros, disse.
O presidente dos EUA disse que o desafio agora é tentar criar esse tipo de condições nas circunstâncias reconhecidamente mais difíceis do sul da Ásia, onde a China já é potência nuclear e há uma longa história de tensões militares e guerras entre a Índia, por um lado, e a China e o Paquistão, por outro.





