Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Presidente chinês Jiang Zemin recebe Bill Clinton: debate sobre direitos humanosDa Cidade Proibida à Grande Muralha, o presidente americano Bill Clinton bancou ontem o turista em Pequim, no dia seguinte ao esperado encontro com seu o presidente chinês Jiang Zemin que, ao que tudo indica, deixou-o tranquilo sobre os destinos da China.
‘‘Depois de ontem, sinto-me muito melhor’’, disse durante a visita à Cidade Proibida, um labirinto de 9.999 palácios e monumentos no centro da capital que foi, durante mais de cinco séculos, a residência dos imperadores chineses e de suas concubinas, e onde o simples mortal não podia penetrar. A declaração veio em resposta ao pedido dos jornalistas de que analisasse as mudanças na China: ‘‘Ela mudou muito nesses últimos 25 anos’’, respondeu.
A entrevista à imprensa concedida pelos dois chefes de Estado, que desencadeou ontem um extraordinário debate sobre os direitos humanos e sobre o massacre de junho de 1989 dos manifestantes da Praça Tiananmen, foi transmitida ao vivo pela televisão estatal chinesa.
A Casa Branca encontrou na decisão de transmitir o evento uma nova prova da liberalização gradual do regime chinês e uma justificativa da pertinência de sua política de cooperação com Pequim, que foi objeto de muitas críticas nos Estados Unidos.
Clinton deve ter hoje uma nova oportunidade de se dirigir ao público chinês para falar sobre a democracia e os direitos humanos, já que deve pronunciar um discurso para cerca de 800 estudantes da Universidade de Pequim, principal palco de contestação durante a ‘‘Primavera de Pequim’’ de 1989.
Mas não se sabe, no entanto, se vai reiterar sua condenação ao massacre de Tiananmen, classificado por ele, anteontem, na presença de Jiang, de ‘‘erro’’.
Um responsável americano revelou somente que o discurso ‘‘se concentrará nas coisas que a China deve fazer no futuro para assegurar seu sucesso como nação no século 21’’, deixando a entender que o presidente Clinton não tocará em problemas passados.
A Casa Branca afirmou ignorar se o discurso será transmitido pela televisão chinesa, de modo que a mensagem de Clinton possa chegar ao maior número de chineses possível. Uma decisão do governo nesse sentido constituiria um novo gesto bastante significativo.
O embaixador dos Estados Unidos em Pequim, James Sasser, estimou ontem, em entrevista à rede de televisão americana ABC, que o presidente Jiang optou por ‘‘correr um risco’’ ao autorizar a transmissão da conferência de imprensa de ontem, ‘‘não somente em relação aos chineses, mas também com certos colegas do governo chinês’’, fazendo alusão à oposição de certos dirigentes a uma liberalização excessiva do regime. ‘‘Eles (os chineses) só falam o que viram anteontem na televisão’’, informou o embaixador.

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