Clinton apela à reconciliação nacional
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terça-feira, 21 de janeiro de 1997
Paulo Sotero Agência Estado, de Washington 
Sob um sol pálido de inverno e muito frio, William (Bill) Jefferson Clinton conclamou ontem os americanos à reconciliação depois de fazer, perante o presidente da Suprema Corte, William Reinquist, o juramento constitucional que o reconfirmou como o 42º presidente dos Estados Unidos. Diante de 250 mil pessoas, reunidas na Esplanada dos Museus e Monumentos da capital americana, e de dezenas de milhões que acompanharam a cerimônia pela televisão, Clinton falou com otimismo sobre as novas promessas que o século 21 reserva para os EUA.
No alvorecer do século XXI, um povo livre precisa dar forma às forças da idade da informação e da sociedade global, (precisa) liberar seu potencial ilimitado e formar uma união mais perfeita, disse ele, depois de lembrar os desafios que o país enfrentou com êxito nos séculos 19 (a expansão territorial) e 20 (sua transformação na maior potência do planeta).
As posses dos presidentes reeleitos geralmente não se prestam a grandes vôos oratórios, porque costumam refletir momentos de placidez, em que as coisas caminham relativamente bem e o país espera mais continuidade do que mudanças. Nesse sentido, a modéstia do discurso de Clinton reflete a baixa expectativa dos americanos em relação ao que o governo fará nos próximos quatro anos.
O papel do Governo O presidente americano Clinton sublinhou isso ao dar por encerrado o grande debate sobre o papel do governo, que o conservador Ronald Reagan iniciou ao tomar posse em 1980, quando prometeu tirar Washington das costas do povo porque o governo federal não era a solução, mas a raiz dos problemas do país. Hoje podemos declarar: o governo não é o problema e o governo não é a solução, disse Clinton ontem. Nós, o povo americano, somos a solução. Primeiro democrata a ser reconduzido à Casa Branca desde Franklyn Roosevelt (o presidente que, entre 1933 e 1945, mais expandiu o papel do governo federal na história dos EUA), Clinton afirmou que os EUA precisam de um novo governo para um novo século ... um governo humilde o suficiente para não tentar resolver todos os nossos problemas, mas forte o suficiente para nos dar os instrumentos para resolvê-los por nós mesmos ... um governo pequeno, que vive dentro de seus meios (orçamentários) e que tenta fazer mais com menos.
Os aplausos mais fortes da platéia vieram quando o presidente falou sobre a decisão do eleitorado de reconduzir um presidente democrata e um Congresso republicano, em novembro passado. Colocando-se menos como o líder dos democratas do que como o árbitro das disputas políticas, Clinton chamou os dois partidos a trabalhar juntos porque os americanos não tolerarão a política das disputas mesquinhas e do partidarismo extremo que eles deploram.


