Clinton adia a decisão sobre o Iraque
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terça-feira, 10 de novembro de 1998
Das agências 
Depois de duas horas de discussões com seus principais assessores de segurança, o presidente americano, Bill Clinton, adiou a decisão sobre se deve usar a força para fazer o Iraque retomar a cooperação com os inspetores de armas da ONU, informou ontem o Conselho de Segurança Nacional (CSN).
Segundo o conselho, Clinton discutiu opções diplomáticas e militares e pediu aos assessores um segundo informe sobre as duas possibilidades, que deve ser apresentado daqui a alguns dias.
Um dos pontos em exame é a possibilidade de que um ataque faça o Iraque romper de vez com a ONU, proibindo permanentemente a inspeção internacional de seus arsenais. Essa ameaça foi expressada ontem pelo jornal oficial As-Saura, segundo o qual Bagdá deixará de reconhecer as resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre seu desarmamento se o embargo econômico imposto em 1990 não for levantado. O jornal acrescentou, entretanto, que o Iraque não deseja chegar a essa situação.
A aparente hesitação de Clinton também pode ser fruto de uma nova estratégia: segundo a revista Newsweek, na primavera o CSN decidiu privilegiar a manutenção do apoio internacional ao embargo econômico contra Bagdá e evitar ações militares. Segundo o autor dessa estratégia, Richard Clarke, é inviável localizar todas as armas químicas e biológicas iraquianas e novos ataques podem não forçar Bagdá a cooperar.
Opções O Pentágono elaborou dois planos de ataque militar contra o Iraque que podem ser executados a qualquer momento, informou ontem o The New York Times.
Um plano prevê um surpreendente, forte e rápido ataque, enquanto o outro seria um ataque prolongado e mais destrutivo que exigiria o envio de forças à região, diz o jornal citando fontes não identificadas.
O Times indicou que as fontes assinalaram que o presidente Bill Clinton não havia decidido ainda utilizar ou não a força contra Bagdá e que os planos poderiam também ser modificados.
Mas o jornal escreveu que os dois planos atualmente sob consideração podem causar danos graves às bases que sustentam o poder de Saddam Hussein, incluindo as forças militares e policiais especiais, assim como fábricas e outros lugares suspeitos de produzirem armas químicas e biológicas.
A proposta do ataque repentino tem a vantagem da rapidez e da surpresa, e poderia incluir ataques das forças e mísseis que já se encontram no Golfo.
As mesmas fontes assinalaram que a hipótese do ataque mais prolongado pode causar mais dano, mas exigiria que Clinton ativasse as forças aéreas e navais baseadas nos Estados Unidos, disse o jornal. A opção é entre rapidez e potência, assinalou um funcionário familiarizado com os planos.


