Clima festivo marca eclipse total do Sol
France Presse
De Bucareste
Milhões de europeus e asiáticos reuniram-se ontem, em clima festivo, para assistir ao último eclipse total do Sol deste século, apesar das condições meteorológicas adversas na maior parte dos países onde poderia ser observado.
O fenômeno, que começou no oceano Atlântico às 6h47 locais, pôde ser observado por habitantes do arquipélago francês de Saint Pierre, ao longo do Canadá. Depois de atravessar o oceano, o fenômeno passou pela Europa, das Cornualhas, na Grã-Bretanha, ao Mar Negro e ao sul da Ásia, para morrer no Golfo de Bengala. No total, percorreu 13 mil km em pouco mais de três horas e meia, deslocando-se a 2.800 km por segundo.
Moradores de nove países europeus situados na zona do eclipse solar total puderam ver sucessivamente como a noite chegava em pleno dia: primeiro, no sudeste da Inglaterra (Plymouth: 07h13), depois no norte da França (Reims: 07h26), Luxemburgo (07h29), Alemanha (Munique: 07h38), Áustria (07h40), Hungria (Veszprem: 07h49), República Federal da Iugoslávia (Subotica: 07h52), Romênia (Bucareste: 08h06) e Bulgária (Dobrich: 08h11). O maior tempo do eclipse pôde ser observado em Bucareste: 2 minutos e 26 segundos.
O fenômeno foi totalmente visível na Turquia, no Irã, Iraque e Paquistão antes de desaparecer na Índia (Vadodara: 9h31).
Em Paris, centenas de milhares de parisienses e turistas estrangeiros se concentraram junto aos principais monumentos, onde puderam observar a variação extraordinária da iluminação na capital (99% de visibilidade).
Um imenso clamor percorreu a praça real de Stuttgart, Alemanha, quando a cidade, ainda úmida de chuva, caiu bruscamente na penumbra.
No zôo de Berlim, embora os flamingos rosas dormissem, os elefantes, leões e ursos não demonstraram qualquer modificação no comportamento.
Em Praga, a nebulosidade impediu a observação do fenômeno e os búlgaros tampouco tiveram sorte uma vez que a televisão, que esperava transmitir o eclipse a partir do Mar Negro, não pôde levar a cabo a emissão por problemas técnicos.
Na Iugoslávia não houve maiores emoções; em Kosovo também não houve grande interesse entre os moradores e os soldados da KFOR, força de paz da Otan.
Os gregos se deleitaram com o eclipse que parece ter contribuído para refrescar um pouco o clima no país, aliviando os 42 graus registrados em algumas regiões.
O astronauta francês Jean-Pierre Haigneré comparou o eclipse solar visto do espaço com um dedo preto pousando sobre a Terra, como um dedo de bruxa.
Essa descrição foi feita no decorrer de uma comunicação radiofônica entre a estação espacial Mir e o Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES), em Toulouse (sul da França).
O eclipse, visto das janelas da Mir, era uma mancha negra bastante grande de 150 km sobre a Europa do Norte, que estava coberta de nuvens, indicou o astronauta.
A enorme escala dos fenômenos cósmicos nos remete à nossa verdadeira dimensão, acrescentou. Nos consideramos reis quando andamos pelas ruas, mas do espaço se vê muito bem que em nossa verdadeira dimensão não somos mais do que formigas. Isto deve provavelmente nos inspirar certa humildade.Milhões observam fenômeno apesar do mau tempo na Europa
France PresseO eclipse no Iraque foi totalFrance PresseA sombra do eclipse já no final, no Golfo de Bengala (acima) e sobre a Alemanha (ao lado), foi descrita pelo astronauta francês Jean-Pierre Haigneré, a bordo da Mir, como um dedo preto pousando sobre a Terra





