Clero linha dura sofre derrota no Irã
Associated Press
De Teerã
Os candidatos reformistas estão liderando a contagem dos votos em 26 das 30 cadeiras de Teerã, segundo resultados parciais das eleições parlamentares de sexta-feira divulgados ontem pela televisão iraniana.
Os resultados representam até agora uma amarga derrota para os clérigos de linha dura, que também estão sendo vencidos no resto do país. Antes que os números de Teerã fossem anunciados, os reformistas conquistavam 137 das 290 cadeiras do Parlamento (Majlis), enquanto que seus rivais conservadores faziam apenas 44 e os independentes, 10. Outras 69 cadeiras serão decididas em segundo turno em abril.
Já conhecida a maioria dos resultados, as eleições legislativas provavelmente fortalecerão a posição do presidente moderado Mohammad Khatami em relação às reformas políticas, sociais e culturas que pretende implementar. Desde sua chegada ao poder, em 1997, o presidente defendeu a redução das restrições impostas durante os 21 anos de regime islâmico.
Cerca de 83% dos 38,7 milhões de iranianos com direito a voto tomaram parte nas eleições.
Das 34 cadeiras que ainda sobram, 30 correspondem a Teerã considerada uma das regiões mais liberais do Irã , onde a contagem de votos vem se realizando de forma mais lenta devido ao grande número de pessoas que integram seu eleitorado: sete milhões.
O irmão do presidente lidera por ampla margem a eleição em Teerã, e tem grandes chances de tornar-se o próximo presidente da Casa cargo fundamental na estratégia dos reformistas de aprovar reformas no regime clerical. Com 15% das cerca de 3 milhões de cédulas apuradas na cidade, Mohammad Reza Khatami, da Frente da Participação (FP), estava ontem com 89 mil votos à frente da segunda colocada na cidade, a também reformista Jamileh Kadivar, irmã de um clérigo dissidente preso e mulher do ministro da Cultura. Reza Khatami tem 40 anos e é a nova estrela política do Irã. Estudou medicina no Ocidente e descende de uma destacada família de clérigos.
O mau desempenho do principal puxador de votos dos conservadores, o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, aparentemente prejudicou sua intenção de disputar a presidência do Parlamento.
É um fato de dimensões históricas, afirmou o porta-voz do Departamento de estado dos EUA, James Rubin, ao expressar a satisfação do governo americano pela vitória dos reformistas
Ainda ontem, entretanto, o Tribunal Supremo do Irã, controlado pelos conservadores, manteve a sentença de pena de morte imposta ao estudante Akbar Mohammadi, preso durante as manifestações pró-democracia de julho em Teerã. Mohammadi foi acusado de ter declarado guerra ao Islã e condenado por atentar contra a segurança nacional.





