Civis fogem das lutas em Kinshasa
Dezenas de milhares de habitantes dos bairros do leste de Kinshasa deixaram maciçamente ontem suas moradias para se refugiarem na zona oeste, fugindo dos confrontos entre o exército e os rebeldes. Com suas malas na cabeça, levando pela mão crianças e idosos, os moradores de Masina e Kimbanseke, bairros próximos ao aeroporto de Ndjili onde vivem um milhão de pessoas, se deslocavam a pé, constatou um jornalista da AFP. O êxodo da população começou timidamente quinta-feira, por temor aos combates entre os rebeldes e as Forças Armadas Congolesas (Fac).
Ontem as Fac, com a ajuda das tropas aliadas de Angola e Zimbabue, continuavam as operações de busca dos rebeldes infiltrados em Masina e Kimbanseke, dois dos 24 distritos da capital congolesa. Os rebeldes, que entraram nesses bairros em pequenos grupos, mantinham suas posições ontem. Em um comunicado, o chefe do Estado-maior congolês, Joseph Kabila, pediu aos jovens soldados congoleses enganados pela aventura dos tutsis que deponham imediatamente as armas e voltem às fileiras do exército regular, e à população se abstiver de qualquer violência para com os militares que se entregarem.
Foi a primeira vez que Joseph Kabila, filho do chefe de Estado, Laurent Desiré Kabila, se apresenta como chefe das Fac. A população porém não atendeu ao apelo e, ontem de manhã, numerosos cadáveres de rebeldes jaziam nas ruas da cidade. Pelo segundo dia consecutivo, o transporte público se viu fortemente perturbado ontem em Kinshasa. Entrementes, no leste do país, habitantes da província de Kivu consideraram que não mais de 47 pessoas morreram nos massacres de segunda-feira passada na missão católica de Kasika e nas aldeias do arredores.
Ontem à tarde, correram rumores de vitória dos legalistas na luta contra os rebeldes em Kinshasa. Mas um dos líderes da rebelião, Deogratias Bugera, falando por telefone de Goma, desmentiu a informação.France PresseCorpo de rebelde morto é queimado pelos habitantes de KinshasaBarthelemy Bosongo
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