Cisjordânia emperra negociação
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segunda-feira, 04 de maio de 1998
Reuters e Deutsche Presse 
France PresseYasser Arafat: a hora é agoraA secretária de Estado americana, Madeleine Albright, iniciou ontem à noite em Londres uma segunda e inesperada rodada de conversações em separado com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, depois que as primeiras reuniões não produziram nenhum acordo. Entretanto, a expectativa dos EUA para as conversações noturnas - que fizeram os líderes adiar para hoje sua partida de Londres - não era muito otimista.
Com base no que vimos até agora, nosso otimismo não é alto, mas continuaremos trabalhando, pois queremos muito que esses encontros sejam decisivos, afirmou o porta-voz de Albright, James Rubin. Esperamos o melhor e estamos preparados para o pior.
Rubin disse que a primeira rodada de diálogo deixou Albright levemente mais otimista, mas afirmou não ter indícios suficientes de que a segunda rodada pudesse cobrir o buraco que restava entre palestinos e israelenses na principal questão em pauta: a próxima retirada de tropas da Cisjordânia.
Arafat queria que Israel desocupasse pelo menos mais 30% do território, mas aceitou na semana passada um plano americano prevendo uma retirada de 13% ao longo de 12 semanas, dizendo que era sua última concessão. Netanyahu ofereceu só 9%, mas tem indicado que pode desocupar 11%.
France PresseBibi Netanyahu sob pressão
Netanyahu começou o dia dizendo não esperar muito das conversações, mas, depois da primeira reunião (de quatro horas e meia) com Albright, mostrou-se um pouco mais conciliatório.
Queremos obter avanços e pôr um fim ao sofrimento e ao conflito dos dois povos, afirmou. Ele ressaltou, porém, que qualquer decisão sobre a retirada terá de ser submetida ao seu gabinete - cujos membros ultranacionalistas reiteraram ontem a ameaça de derrubar o primeiro-ministro se ele devolver mais uma parte da Cisjordânia aos palestinos.
Arafat, ao sair do primeiro encontro (de 90 minutos) com Albright, disse que ainda não havia ocorrido nenhum avanço. Horas antes, ele lançara uma advertência a Netanyahu.
Netanyahu terá de arcar com a responsabilidade pelo caos que resultará do colapso do processo de paz, por causa de sua atitude negativa em relação à proposta americana, disse o líder palestino após um encontro matinal com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Se Netanyahu está seriamente interessado na paz, hoje é o dia, agora é o momento.
Sob os acordos firmados desde 1993, Israel já desocupou totalmente sete grandes cidades da Cisjordânia (uma oitava, Hebron, foi desocupada parcialmente) e deve promover três retiradas de áreas rurais do território. Nenhuma destas foi feita. Total ou parcialmente, a AP controla 27% da Cisjordânia.
Deputados da direita radical do Parlamento israelense ameaçaram ontem derrubar o governo de Benjamin Netanyahu caso ele ceda às pressões sobre a retirada das tropas de Israel da Cisjordânia. O líder do partido de extrema-direita Frente Israel pela Terra, Michael Kleiner, afirmou que sua agremiação considera a retirada militar da Cisjordânia irrevogável e apresentará uma moção de censura contra o governo caso Netanyahu faça qualquer acordo com os palestinos sobre a questão.


