Circunstâncias são outras e Bill Clinton não é Bush
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sábado, 15 de novembro de 1997
Gene Gibbons AE-Reuters 
O presidente Bill Clinton está diante do clássico dilema, que no Brasil corresponderia ao, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, enquanto decide se deve ou não punir militarmente o Iraque por obstruir inspeções de armas da ONU.
As opções diplomáticas parecem estar acabando. Apesar de fortes resoluções da ONU condenando sua política, Bagdá esta semana efetivamente suspendeu a cooperação com o mandato de monitoramento da Guerra do Golfo ao barrar americanos da inspeção de seus programas.
A inspeção destina-se a impedir que o Iraque produza armas nucleares, químicas e biológicas - as chamadas armas de destruição em massa. A última crise emergiu em meio a preocupações de que Bagdá está encobrindo esforços para produzir VX, um agente químico nervoso 10 vezes mais mortal que o sarin, que matou 11 pessoas e intoxicou mais de 5.000 num ataque ao metrô de Tóquio em 1995.
Clinton ordenou ontem que o porta-aviões George Washington siga para a região do Golfo e se una a outros navios de guerra já a postos - uma ação que aumenta substancialmente o poder de fogo dos EUA capaz de alcançar o Iraque.
Mas se ele ordenar um ataque punitivo, ele corre o risco de dividir a coalizão internacional costurada por George Bush, que tem mantido o presidente iraquiano, Saddam Hussein, mais ou menos em xeque desde a Guerra do Golfo de 1991. A Rússia, França e vários países árabes, incluindo o Egito, são contrários a ações de força contra o Iraque.
Outra complicação no manejo da crise para Clinton são os limites do poder militar. Seu problema é que se ele atingir militarmente o Iraque e mesmo assim Saddam não permitir o trabalho dos inspetores, o que ele fará então?, perguntou Lawrence Korb, um subsecretário de Defesa na administração Reagan.
Entretanto, se Clinton deixar a crise do Golfo se arrastar, críticos domésticos certamente o acusarão de ser fraco - um grande problema no mundo macho da política americana.
Congressistas republicanos já prepararam o caminho para tal ataque contra o presidente democrata, aprovando num comitê-chave uma resolução pedindo o uso da força caso fracasse a diplomacia.
Funcionários da administração disseram que uma ação militar dos EUA não é iminente. Muita diplomacia será colocada em ação na próxima semana, afirmou uma alta autoridade.
Analistas disseram que os Estados Unidos provavelmente não atacarão o Iraque até a conclusão de uma conferência econômica do Oriente Médio em Doha, Catar, que termina na terça-feira. A secretária de Estado Madeleine Albright participará da reunião.
O próprio Clinton tentou passar um clima de calma ontem dando continuidade a uma viagem de arrecadação de fundos políticos de quatro dias pela Califórnia, Nevada, Kansas e Missouri.
Mas autoridades americanas sugeriram que Clinton pode intensificar a pressão sobre Bagdá declarando todo o espaço aéreo do Iraque uma zona de exclusão, o que colocaria os dois lados num rota direta de colisão. Aviões de combate dos EUA já imobilizaram parcialmente no chão a força aérea iraquiana patrulhando zonas de exclusão aérea no norte e no sul do Iraque.


