Cinzas de brasileiro serão levadas para o Rio
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Das agências 
São Paulo - O corpo do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, executado às 15h31 (horário de Brasília) de sábado, foi cremado, confirmou a assessoria do Ministério das Relações dos Exteriores no Brasil. As cinzas serão trazidas para o Brasil pela tia do ex-instrutor de voo, a advogada Maria de Lourdes Archer, única parente viva do brasileiro condenado, que embarcou para Jacarta na última terça-feira e esteve com Marco antes da execução.
Após o fuzilamento do brasileiro, a presidente Dilma Rousseff se disse "consternada" e "indignada" e convocou para consultas o embaixador do Brasil em Jacarta. No meio diplomático, a medida representa uma espécie de agravo ao país no qual está o embaixador. Já o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que a execução causa "uma sombra" na relação entre o Brasil e a Indonésia.
Em nota, a organização não governamental Anistia Internacional considerou um "retrocesso" a execução de Marco Archer e de mais cinco traficantes de drogas pela Indonésia. Eles são os primeiros presos executados desde que o presidente Joko Widodo assumiu o cargo. "Este é um retrocesso grave e um dia muito triste. A nova administração tomou posse prometendo fazer dos direitos humanos uma prioridade, mas a execução de seis pessoas vai na contramão desse compromisso", disse o diretor de Pesquisa sobre a Região do Sudeste Asiático e Pacífico da Anistia Internacional, Rupert Abbott.
O carioca Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, foi o primeiro brasileiro executado por crime no exterior. Archer trabalhava como instrutor de voo livre e foi preso em agosto de 2003, quando tentou entrar na Indonésia, pelo aeroporto de Jacarta, com 13,4 quilos de cocaína escondidos em uma asa-delta desmontada em sete bagagens. Ele conseguiu fugir do aeroporto, mas foi localizado após duas semanas, na Ilha de Sumbawa. Archer confessou o crime e disse que recebeu US$ 10 mil para transportar a cocaína de Lima, no Peru, até Jacarta. No ano seguinte, ele foi condenado à morte.
Outro brasileiro preso e condenado à morte em Jacarta, que teve o pedido de clemência feito por Dilma também rejeitado pelo presidente da Indonésia, foi o surfista Rodrigo Gularte. Ele foi detido em 2004, também no aeroporto de Jacarta, com 12 pacotes de cocaína.


