Cientistas pesquisam vacina contra a doença de Chagas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de agosto de 2000
France Presse De Paris 
Uma defesa eficaz contra o parasita que provoca a doença de Chagas, que afeta 20 milhões de pessoas na América Latina, foi conseguida por uma equipe internacional através de experiências com animais.
A defesa eficiente contra o parasita que provoca a doença (Trypanossoma Cruzi) pode ser conseguida bloqueando uma enzima essencial para sua sobrevivência, a racemase, afirmam os pesquisadores cujos trabalhos aparecem no número de agosto da revista Nature Medicine.
Os cientistas vacinaram ratos com DNA que contém o gene que determina a produção da enzima e, em seguida, as injetaram no parasita responsável pela doença de Chagas, contra a qual ainda não existe vacina.
Desse modo, conseguiram um aumento da resistência à infecção e um controle da patologia crônica com uma redução de 85% dos parasitas no sangue.
Estes trabalhos, dirigidos pela equipe de Paola Minoprio do Instituto Pasteur-CNRS em Paris, foram realizados em colaboração com Antonio Coutinho (Instituto Gulbenkian de Ciência) e Mario Arala Chaves (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar) em Portugal, e com o Instituto Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro.
A doença, provocada pelo parasita Trypanosoma Cruzi, é transmitida por um mosquito, o triatoma, ou barbeiro, e se torna crônica em mais de um terço dos casos depois de 10 a 20 anos.
Pode provocar lesões cardíacas irreversíveis com risco de morte súbita e lesões digestivas e neurológicas. Também pode ser transmitida por tansfusão de sangue, e aos fetos, através da placenta.
Existem cerca de 300 mil doentes em São Paulo e 200 mil em Buenos Aires. Nos anos 80, a equipe de Paola Minoprio demonstrou que nas primeiras etapas da infecção, o essencial (98%) da reação de defesa do organismo fica impreciso, em vez de dirigir o ataque contra o agente infeccioso, e portanto não funciona.
A estratégia inovadora dos pesquisadores consistiu em neutralizar a resposta imprecisa do organismo, classificada de não-específica, a fim de provocar uma resposta imunológica eficiente.
Esta estratégia poderia ser aplicada a outros agentes infecciosos como bactérias, vírus e fungos. O Instituto Pasteur tem os direitos desta tecnologia e está buscando patrocínios industriais para desenvolvê-la, segundo os pesquisadores.


