Um pequeno mas crescente grupo de cidades com população em declínio busca novas estratégias visando atrair imigrantes para reavivar bairros desolados, atender à escassez de mão-de-obra e injetar maior diversidade étnica em suas comunidades. É o que diz um longo artigo publicado na primeira página do jornal New York Times, segundo o qual em cidades como Pittsburg, por exemplo, a população caiu 9,5% nos anos 90 (para 334.563), enquanto o número de imigrantes aumentou em apenas 9.000 pessoas. No mês passado, quatro grupos locais destinaram subsídios de US$ 800.000 para ajudar a captar trabalhadores imigrantes, incentivar que estudantes estrangeiros permaneçam na cidade após a formatura e informar a comunidade local sobre a diversidade étnica.
Muito perto de Pittsburg, a cidade de Filadélfia, na Pensilvânia, perdeu 4% de sua população desde 1990, e está considerando a criação de um ‘‘Escritório para os Novos Filadelfianos’’, concebido nos moldes de escritórios similares em Nova York e em Boston, para ajudar na chegada de novos estrangeiros.
Este plano de Filadélfia, que espera obter financiamento privado, será desenvolvido não apenas na própria cidade como junto aos consulados dos EUA no exterior e ampliará suas instalações no aeroporto local para os vôos procedentes e com destino à América Latina e Ásia.
O diretor de planejamento da fundação privada Heinz Endowments, Grant Oliphant, disse que ‘‘hoje as economias regionais são fortemente dependentes da gente e de seus conhecimentos, e é difícil atrair novos negócios a uma região que está perdendo população’’.
O crescente fenômeno da atração de imigrantes qualificados é uma réplica em menor escala das necessidades enfrentadas por vários países europeus que mostram um forte crescimento demográfico negativo e, em casos como o da Itália, Espanha, França e Alemanha, estão sendo preparadas novas medidas destinadas a atrair gente de fora, por iniciativa das altas esferas governamentais.
O forte crescimento econômico durante os últimos anos da década passada tornou um ativo valiosíssimo o trabalho dos imigrantes de todos os níveis de capacitação, e os residentes estrangeiros, tradicionalmente com jovens e grandes famílias, ajudaram a reocupar os bairros que haviam ficado desertos com a mudança da classe média para os subúrbios.
A mudança de perspectiva em relação aos imigrantes, que se tornou mais aguda no último ano, foi atribuída aos dados do último censo populacional, segundo os quais os imigrantes são os protagonistas nas cidades que mais crescem nos EUA (como na Carolina do Norte e em Nevada), e compensam o êxodo em direção aos subúrbios em cidades como Chicago e Nova York.

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