A população urbana do mundo passará de 2,4 bilhões para 5 bilhões de pessoas, em 25 anos, para converter-se em 61% do total, diante de 47% na atualidade. Esse é o prognóstico da Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável das Cidades.
O crescimento, em termos absolutos e percentuais da população, é o desafio do milênio, tanto para os países do Norte industrializado como para os do Sul em desenvolvimento, segundo advertência dos autores do Relatório Mundial sobre o Futuro Urbano.
‘‘O progresso tecnológico e a globalização da economia, duas forças benignas, podem contribuir para resolver os problemas de desenvolvimento enfrentados hoje pelas cidades’’, diz o relatório.
A reunião de Berlim, conhecida como Urban 21, foi inaugurada quinta-feira pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, e pelo chanceler da Alemanha, Gerhard Schroeder.
Um explosivo crescimento da população urbana ocorrerá especialmente na África, na América Latina e no Caribe. Até o ano 2025, o mundo terá 27 cidades com mais de dez milhões de habitantes, 18 delas na Ásia.
‘‘O principal desafio reside nas cidades de crescimento rápido, localizadas nos países mais pobres do mundo’’, assinala o documento, acrescentando: ‘‘A população da África aumentará ao ritmo de 5% ao ano, o que a duplicará a cada 13 anos. Trata-se de um desafio local, que deverá ser enfrentado mediante o manejo de um espaço urbano em constante expansão e com eficientes meios de transporte. O enfoque deve ser global, compreendendo a provisão de energia renovável e a reciclagem de recursos, duas condições para a sobrevivência urbana.’’
O relatório acrescenta que a revolução da informação pode progressivamente liberar os habitantes dos centros urbanos do trabalho manual, mas não necessariamente e nem de maneira fácil. O incessante êxodo das populações rurais e de pequenas e médias localidades em direção às grandes cidades do mundo em desenvolvimento tende a aumentar a pobreza.
O relatório cita o Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), ao calcular em 27,7% a proporção de pobres entre os habitantes urbanos. Esse índice subirá para 34,2% no Oriente Médio e na África do Norte, e para 41,6% na África subsaariana.
‘‘A pobreza aumenta mais rapidamente nas cidades do que nas áreas rurais, e grande parte dos pobres são mulheres. Mesmo assim, a qualidade de vida nas grandes cidades não vai melhorar, pelo contrário, se deteriorarᒒ, ressalta o relatório.
Entre os 21 integrantes da Comissão Urban 21, encontram-se o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Mark Malloch Brown, o ministro de Habitação da África do Sul, Sankie Mthembi-Mahanyele, o vice-presidente do Banco Mundial, Ismail Sergeldin, e o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Klaus Toepfer.
Segundo as conclusões da comissão, para enfrentar os problemas das grandes cidades são necessárias a descentralização administrativa e uma maior democratização na tomada de decisões, além de mais autonomia administrativa, fontes de financiamentos independentes das economias locais e uma melhoria na infra-estrutura urbana e na educação. A boa administração municipal deve apoiar-se nas seguintes regras: solidariedade, colaboração entre os setores público e privado e entre as autoridades e a sociedade civil, ação integral dos governos locais e aprendizagem de boas práticas administrativas.
Concluindo, a comissão recomenda intercâmbio internacional por meio de bancos de dados, e a realização de conferências especializadas, como o foi a Cúpula de Microcrédito, realizada há três anos em Washington.

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