Cidade superpopulosa: desafio do milênio
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de julho de 2000
Jaya Ramachandran Interpress De Berlim 
A população urbana do mundo passará de 2,4 bilhões para 5 bilhões de pessoas, em 25 anos, para converter-se em 61% do total, diante de 47% na atualidade. Esse é o prognóstico da Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável das Cidades.
O crescimento, em termos absolutos e percentuais da população, é o desafio do milênio, tanto para os países do Norte industrializado como para os do Sul em desenvolvimento, segundo advertência dos autores do Relatório Mundial sobre o Futuro Urbano.
O progresso tecnológico e a globalização da economia, duas forças benignas, podem contribuir para resolver os problemas de desenvolvimento enfrentados hoje pelas cidades, diz o relatório.
A reunião de Berlim, conhecida como Urban 21, foi inaugurada quinta-feira pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, e pelo chanceler da Alemanha, Gerhard Schroeder.
Um explosivo crescimento da população urbana ocorrerá especialmente na África, na América Latina e no Caribe. Até o ano 2025, o mundo terá 27 cidades com mais de dez milhões de habitantes, 18 delas na Ásia.
O principal desafio reside nas cidades de crescimento rápido, localizadas nos países mais pobres do mundo, assinala o documento, acrescentando: A população da África aumentará ao ritmo de 5% ao ano, o que a duplicará a cada 13 anos. Trata-se de um desafio local, que deverá ser enfrentado mediante o manejo de um espaço urbano em constante expansão e com eficientes meios de transporte. O enfoque deve ser global, compreendendo a provisão de energia renovável e a reciclagem de recursos, duas condições para a sobrevivência urbana.
O relatório acrescenta que a revolução da informação pode progressivamente liberar os habitantes dos centros urbanos do trabalho manual, mas não necessariamente e nem de maneira fácil. O incessante êxodo das populações rurais e de pequenas e médias localidades em direção às grandes cidades do mundo em desenvolvimento tende a aumentar a pobreza.
O relatório cita o Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), ao calcular em 27,7% a proporção de pobres entre os habitantes urbanos. Esse índice subirá para 34,2% no Oriente Médio e na África do Norte, e para 41,6% na África subsaariana.
A pobreza aumenta mais rapidamente nas cidades do que nas áreas rurais, e grande parte dos pobres são mulheres. Mesmo assim, a qualidade de vida nas grandes cidades não vai melhorar, pelo contrário, se deteriorará, ressalta o relatório.
Entre os 21 integrantes da Comissão Urban 21, encontram-se o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Mark Malloch Brown, o ministro de Habitação da África do Sul, Sankie Mthembi-Mahanyele, o vice-presidente do Banco Mundial, Ismail Sergeldin, e o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Klaus Toepfer.
Segundo as conclusões da comissão, para enfrentar os problemas das grandes cidades são necessárias a descentralização administrativa e uma maior democratização na tomada de decisões, além de mais autonomia administrativa, fontes de financiamentos independentes das economias locais e uma melhoria na infra-estrutura urbana e na educação. A boa administração municipal deve apoiar-se nas seguintes regras: solidariedade, colaboração entre os setores público e privado e entre as autoridades e a sociedade civil, ação integral dos governos locais e aprendizagem de boas práticas administrativas.
Concluindo, a comissão recomenda intercâmbio internacional por meio de bancos de dados, e a realização de conferências especializadas, como o foi a Cúpula de Microcrédito, realizada há três anos em Washington.


