Associated Press
De Golcuk
Ao longo de toda a cidade de Golcuk, devastada pelo terremoto que atingiu a Turquia ontem de madrugada, os moradores corriam freneticamente para salvar parentes e amigos. Alguns, recusando-se a abandonar a esperança, continuam cavando os escombros com as próprias mãos, hora após hora. Outros, visivelmente exaustos, renderam-se em desespero. E muitos culparam a prefeitura e o exército por não lhes ter dado a ajuda necessária para salvar centenas de vítimas enterradas.
‘‘Meus amores, meus filhos estão lá. Mas ninguém está lutando para salvá-los’’, gritava, aos prantos, Gulser Onat em frente a seu apartamento destruído pelo tremor.
Às vezes, a ajuda aparecia. Mas nem sempre era o bastante.
O morador Mahir Eryilmaz, por exemplo, cavou durante 12 horas seguidas para tentar salvar seu sobrinho de 21 anos. Quando um guindaste finalmente chegou, seu alcance não era suficiente para resgatar a vítima.
‘‘O guindaste não pôde fazer nada. Ninguém está nos ajudando. Nem a prefeitura nem o exército’’, disse Eryilmaz enquanto continuava tentando remover o concreto que caiu sobre os pés de seu parente.
O prefeito de Golcuk, Ismail Baris, afirmou que cerca de 10 mil pessoas podem estar presas nos escombros. Para resgatá-las, disse ele, seria necessária ajuda de todo o país.
Embora algumas pessoas se sentissem abandonadas pelas autoridades, o hospital militar recebeu feridos e foram vistos marinheiros ajudando civis que cavavam nas ruínas.
Em muitos lugares, gritos por ajuda atraíam várias pessoas, civis e militares, dispostas a ajudar.
Centenas de pessoas que perderam suas casas acamparam em um parque central de Golcuk. Entre elas, estava Halil Ibrahim Yilmaz, que se enrolou em uma manta à espera de comida e água, que não chegaram.
Os braços de Yilmaz foram seriamente feridos enquanto ele tentava salvar sua filha, Denise, de 20 anos, das ruínas de seu apartamento. Seguro, mas emocionalmente abalado, ele não parava de chorar.
Alguns metros adiante, Ercan Yasar, que já havia desistido de procurar seu irmão, estava sentado, exausto de remover pilhas de madeira e pedaços de concreto. ‘‘O que podemos fazer? Somos apenas homens com nossas mãos’’, disse ele.

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