Washington - O diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, George Tenet, depôs ontem à Comissão de Investigação sobre os atentados de 2001 e afirmou que seus serviços dispunham de sinais de alerta sobre a possibilidade de um ataque, mas careciam de detalhes para atuar concretamente.
''Nossas fontes emitiram sinais durante este período. Informavam que ataques múltiplos e de grandes proporções estavam sendo preparados e que alguns atentados estavam em sua fase final'', disse. Mas estes alertas eram vagos e os únicos elementos pouco consistentes davam a entender que se tratavam de ações contra os alvos americanos no Oriente Médio, acrescentou Tenet.
Ainda assim, Tenet disse que a detenção ou eliminação de Osama bin Laden em 2001 não evitaria os atentados de 11 de setembro. ''Creio que o plano estava em curso de aplicação, seus executores chegaram a nosso país, e eliminar uma pessoa, ainda que Bin Laden, não impediria o plano'', declarou Tenet. Bin Laden, líder da rede terrorista Al-Qaeda, reivindicou esses atentados, que deixaram quase 3.000 mortos em Nova York, Washington e Pensilvânia.
O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, que na terça-feira compareceu na comissão investigadora, havia declarado que os atentados seriam realizados de qualquer maneira, mesmo com a detenção ou morte de Bin Laden. ''Ninguém pensa que a captura ou morte de Bin Laden antes dos atentados de 11 de setembro os evitaria'', afirmou.
Além disso, o diretor da CIA advertiu que a Al-Qaeda e ''mais de duas dezenas de outros grupos terroristas'' continuam procurando adquirir armas de destruição em massa. ''O interesse da Al-Qaeda em armas químicas, biológicas, radiológicas e nucleares é forte'', disse Tenet. ''Adquirir estas armas é uma obrigação religiosa, segundo o ponto de vista de Bin Laden'', afirmou.
Tenet disse ainda que o programa de produção de antraz da Al-Qaeda ''é a ameaça mais imediata de mortes em massa que podemos enfrentar'', acrescentando que ''há indícios'' da ameaça do antraz. Tenet destacou que a CIA também tinha encontrado ''um alto risco de ataques com veneno'', e informou que a CIA acha que há mais de 100 extremistas treinados pela Al-Qaeda na Europa.
Sem provas - A propósito dos atentados de 11 de março na Espanha, Tenet afirmou que até o momento não há qualquer informação que sugira que a organização basca ETA esteja envolvida nesses ataques. Embora a CIA disponha de informações que mostram claramente um envolvimento de extremistas islâmicos na Espanha vinculados à Al-Qaeda, a organização não possui nada que indique que a direção da organização terrorista tenha ordenado ou aprovado os ataques em Madri.
''Os explosivos utilizados não são caros e parecem ter sido obtidos localmente. Os principais suspeitos parecem ter experiência em termos de explosivos. Isso sugere que puderam lançar seus ataques sem ajuda financeira e operacional da Al-Qaeda ou outros grupos terroristas'', afirmou.

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