CIA investiu na ditadura chilena
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de setembro de 2000
Gustavo Gonzalez Inter Press De Santiago 
Um relatório divulgado em Washington sobre os vínculos da CIA com o general chileno Manuel Contreras revela um novo capítulo da obscura atuação de agências de inteligência norte-americanas nos primeiros anos da ditadura de Augusto Pinochet. Segundo o documento, Contreras, general reformado que cumpre sete anos de prisão desde 1993, foi agente da CIA entre 1974 e 1977, tendo, inclusive, recebido pagamento por seus serviços, em 1976.
Contreras liderou, desde a sua criação em 1973, a Direção de Inteligência Nacional (Dina), diretamente subordinado a Pinochet. Mesmo depois da extinção desse órgão, em 1977, o general foi mantido no governo, no cargo de diretor da nova Central Nacional de Informações (CNI).
O relatório, agora divulgado e redigido a pedido do Congresso dos Estados Unidos, com base em documentos desclassificados pela CIA, acrescenta novas dimensões ao assassinato do ex-chanceler chileno Orlando Letelier, cometido em Washington no dia 21 de setembro de 1976. Contreras, sentenciado por esse crime, sempre sustentou inocência, atribuindo o atentado à CIA. Depreende-se do relatório que a agência de inteligência norte-americana, que sempre manteve uma atitude distante quanto às denúncias sobre crimes de direitos humanos cometidos pela Dina, conhecia os planos da chamada Operação Condor (plano repressivo das ditaduras sul-americanas na década de 70) através do próprio Contreras.
A divulgação do documento coincidiu com a celebração, no Chile, do Dia das Glórias do Exército e das Festas Pátrias. Por esse motivo, ainda não foi possível conhecer as reações do governo de Ricardo Lagos e dos diversos setores políticos.
O atentado que matou Letelier foi executado pela Dina, com o apoio de ativistas cubanos anticastristas, segundo as investigações realizadas em 1993 e que levaram a Corte Suprema de Justiça chilena a condenar o general. Contreras foi recrutado pela CIA em 1974, servindo como informante até 1977, um ano depois do atentado de Washington.
O relatório indica que o chefe da Dina recebeu, em 1975, pagamento por seus serviços à CIA, quantia, porém, não especificada. A agência norte-americana sustenta que esse pagamento aconteceu por um erro e que informara a Contreras que não daria apoio às suas atividades subversivas. Não exigiu, porém, a devolução do dinheiro; pelo contrário, continuou trabalhando com o chefe da inteligência chilena. A Dina foi dissolvida por Pinochet, sendo substituída, em 1977, pela CNI, principalmente por causa de denúncias, surgidas nos Estados Unidos, de que o general Contreras, o então coronel Pedro Espinoza e o capitão Armando Fernandez Larios estavam envolvidos nos atentado que matou o chanceler Letelier.


