São Paulo - As chuvas que castigam a Índia há dois meses já deixaram um saldo de 633 mortos e afetaram mais de 5,5 milhões de pessoas de 16 mil cidades e vilarejos em todo o país, informaram ontem autoridades indianas. A região mais afetada pelas consequentes inundações e deslizamentos de terra é o Estado de Maharashtra (oeste), onde 200 pessoas morreram nos últimos cinco dias.
Ontem o mau tempo ''fechou'' o centro da capital financeira do país, Mumbai (Bombaim): linhas telefônicas foram cortadas, estudantes tiveram de dormir dentro das escolas, o abastecimento de energia foi cortado, e os aeroportos não funcionaram.
Meteorologistas disseram que são as chuvas mais fortes que já aconteceram no país. ''A maior parte das regiões da Índia não recebe essa quantidade de água nem durante um ano. É, sem dúvida, a maior chuva da nossa história'', afirmou o diretor do Instituto Meteorológico de Mumbai, R.V. Sharma.
As chuvas sazonais ocorrem geralmente entre julho e setembro na Índia, durante a chamada temporada das monções. Em meio às tragédias causadas pela chuva, um incêndio atingiu a maior plataforma de petróleo do país, deixando pelo menos cinco pessoas mortas e 45 desaparecidas, informou o Ministério de Energia. Navios e helicópteros da Marinha retiraram pelo menos 335 pessoas da plataforma, que fica a 160 km de Mumbai. As autoridades ainda não sabem as causas do acidente.
No entanto, as equipes de emergência enfrentam dificuldades, já que as chuvas interromperam seu sistema de comunicação e não é possível utilizar barcos nem aviões nas buscas, devido ao mau tempo. Em Bombaim, segundo meteorologistas, as chuvas e ventos fortes devem persistir por ao menos 48 horas.
As redes elétrica e de telefonia estão cortadas na capital. Escolas foram fechadas e trens e ônibus não circulam pelo segundo dia. Carros e ônibus foram abandonados no norte da cidade e milhares de transeuntes que passaram a noite em hotéis ou escritórios tiveram que andar ao menos 20 km do centro até suas casas. Alex Anthony, 44 anos, afirmou ter levado 14 horas para chegar em sua casa ontem, andando com água na altura do peito.

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