Chuvas deixam mais de 270 mortos no Haiti
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terça-feira, 25 de maio de 2004
Das agências 
São Paulo - Um dia depois das cheias provocadas por fortes chuvas que atingiram a ilha Hispaniola, que abriga Haiti e República Dominicana, continua a subir o número de mortos nos dois países: as estimativas divulgadas ontem vão de 270 a mais de 500. Na cidade dominicana de Jimani, na fronteira com o Haiti, os mortos estariam entre cem e 180. As mortes foram provocadas pelo transbordamento do rio Soleil, que atingiu barracos do bairro Malpaso. Segundo um auxiliar das forças de resgate, alguns corpos foram encontrados a cerca de dez quilômetros de suas residências.
No Haiti, a Defesa Civil listou 130 mortos, entre eles 58 na localidade de Fonds Vérette, a nordeste de Porto Príncipe. Fonds Vérette, edificada na bacia de um rio, conta com 45 mil moradores, a maioria agricultores, e já havia registrado dezenas de mortos durante a passagem do ciclone George em 1998 e da tempestade tropical Gordon em 1994.
Estão sendo consideráveis os danos causados às culturas básicas, como as plantações de milho e bananas, que alimentam a população local. Um helicóptero da força multinacional interina decolou na manhã de ontem de Porto Príncipe para avaliar os prejuízos e encaminhar os primeiros socorros.
Segundo a Defesa Civil, o departamento do sudeste do Haiti, na fronteira com a República Dominicana, foi o mais devastado pelas chuvas. Na República Dominicana, o levantamento de ontem menciona pelo menos 104 mortos, 122 feridos e 250 desaparecidos. A aldeia de Jimani, na fronteira, foi a mais atingida, devido ao transbordamento do rio Soleil.
A enchente foi causada depois de sete dias consecutivos de fortes chuvas e supreenderam os moradores na noite de domingo, causando pelo menos 94 mortos. No entanto, o número de vítimas poderá ser muito mais elevado, uma vez que uma centena de pessoas ainda estão desaparecidas, segundo moradores e jornalistas.
O nível máximo de alerta foi decretado na área sinistrada enquanto os socorristas prosseguiam as buscas ontem, empilhando os corpos no necrotério local. ''As pessoas que não forem identificadas por suas famílias deverão ser enterradas em valas comuns, por motivos de saúde pública'', declarou o presidente da Comissão Nacional de Emergência (CNE), Radhames Lora Salcedo. Algumas localidades tiveram cortados os abastecimentos de água e de eletricidade.
De acordo com o jornal Listin, de Santo Domingo, trata-se da pior tragédia provocada por chuvas na história do país, superando o ciclone George, que abalou a região em setembro de 1998. No restante do Caribe, as chuvas parecem ter causado apenas danos materiais.
Em Guadalupe, dez dias de chuva consecutivos provocaram inundações de casas e interrupção do trânsito nas estradas. A estrada que liga as duas principais cidades da ilha, Pointe-à-Pitre e Basse-Terre, ficou praticamente paralisada durante mais de quatro horas na segunda-feira.


