Chuva mata 31 na Espanha e Portugal
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sexta-feira, 07 de novembro de 1997
France Presse Badajoz, Espanha 
France PressePesadeloVinte e um morreram na Espanha e 10 em Portugal: a pior tempestade que se tem memória na Peninsula IbéricaViolentas tempestades de outono castigaram o sul da Espanha e Portugal durante a madrugada de ontem, matando pelo menos 31 pessoas, destruindo casas e plantações. Vinte e uma pessoas morreram na Espanha e 10 em Portugal após a pior tempestade que se tem memória atingiu a região sul da Península Ibérica, causando enchentes que deixaram um rastro de lama pelas ruas e casas da região.
Autoridades da Espanha alertaram que o número de mortos pode aumentar. No entanto, em Portugal, oficiais afirmaram que não esperavam encontrar mais mortos. Foi uma noite de loucura, um verdadeiro pesadelo,. Havia água por todos os lados, disse Manoel Afonso, um residente da vila de Saboia, no sul de Portugal. Ninguém se lembra que nada parecido tenha alguma vez acontecido, acrescentou.
Um dos casos mais contundentes foi o de um bebê de 16 dias de vida que morreu afogado após ter sido arrancado dos braços de seu pais que lutava para salvá-los da correnteza, na vila de Carreguerio, no sul de Portugal. Entre as muitas vítimas estava um casal de idosos cuja casa foi coberta pela enchente no distrito de Ourique, 200 km ao sul de Lisboa.
Em Badajoz, cerca de 400 km a oeste de Madri, várias pessoas morreram afogadas após suas casas terem sido invadidas pela enchurrada. Os vizinhos se amontoavam ao redor dos corpos das vítimas, enquanto elas eram retiradas do local. As autoridades meteorológicas informaram que as chuvas atingiram o volume recorde de 15 cm.
Equipes de resgate vasculharam as áreas mais fortemente atingidas pela tempestade à procura dos desaparecidos ao longo do rio Guadiana, na divisa entre Portugal e Espanha. Dezenas de pessoas foram pegas de surpresa pelas enchentes, enquanto, em alguns lugares na Espanha, o nível das águas que cobriram as estradas chegou a três metros.
Na Espanha, ventos de até 100 quilometros por hora atingiram as províncias de Extremadura e Andaluzia, onde as principais rodovias foram bloqueadas por árvores e postes de energia elétrica que cairam com a tempestade, causando a interrupção do abastecimento de energia para milhares de pessoas em todo o país.
O ministro da Agricultura da Espanha, Loyola de Palacio, visitou a região afetada pelas chuvas para avaliar as perdas na produção de algodão. Mas autoridades estimam que 10% da produção total da Andaluzia tenham sido destruídos.
Apesar da situação ter melhorado em Portugal, as autoridades continuam preocupadas com a possibilidade de novas enchentes, resultantes da abertura das comportas das represas dos rios Tagus e Guadiana. Autoridades da Defesa Civil foram colocadas em alerta perto de Santarém, cerca de 70 ao norte de Lisboa, onde as margens do rio Tagus foram parcialmente destruídas, embora haja sinais de que o nível das águas começou a baixar.


