São Paulo- Uma forte chuva tumultuou ontem os acampamentos de sobreviventes do terremoto no Haiti, em um alerta para a possibilidade de novas tragédias entre os cerca de 1 milhão de desabrigados. Depois do temporal da madrugada, as primeiras luzes da manhã revelaram que os lençóis utilizados por alguns na montagem de barracas improvisadas foram encharcados e cederam ao peso da água acumulada, enquanto os moradores driblavam as poças na maior praça da capital haitiana, Porto Príncipe, virtualmente devastada no terremoto.
Quase um mês depois do terremoto, o Haiti corre contra o tempo para tirar os sobreviventes dos acampamentos improvisados, onde as barracas foram montadas com plásticos, lençóis e chapas de zinco, para levá-los a abrigos mais organizados. Ontem, as pessoas deixaram suas camas improvisadas às pressas, para se proteger da chuva.
O presidente da Cruz Vermelha francesa, Jean-François Mattei, alertou sobre uma possível deterioração da situação do país devido ao início da época de chuvas, temor compartilhado pelas autoridades haitianas. ''O pior está por vir com a chegada da temporada de chuvas, em seis semanas. São chuvas torrenciais, inundações e deslizamento de terras'', afirmou Mattei.
Nos últimos séculos, o Haiti perdeu praticamente toda a sua cobertura florestal, e por isso está muito vulnerável a inundações e deslizamentos. Além disso, depois da temporada de chuvas, em 1º de junho, começará a de furacões.
Embora a chuva possa lavar parte da poeira deixada pelo desabamento de centenas de edificações, ela também pode estimular a proliferação de mosquitos. ''Quando a temporada chuvosa começar, não é que as pessoas ficarão molhadas, elas serão arrastadas pela água'', disse Alberto Wilde, diretor da Fundação da Cooperativa Habitacional, entidade americana que tenta construir abrigos temporários para os sobreviventes.

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