Choques no 11º aniversário da Intifada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de dezembro de 1998
France Presse 
Um palestino morreu baleado e outros cem ficaram feridos em confrontos, ontem, entre militares israelenses e palestinos, a quatro dias da visita do presidente americano, Bill Clinton, aos territórios ocupados.
Em razão do 11º aniversário da Intifada (levante palestino), militares israelenses e manifestantes palestinos repetiram procedimentos semelhantes ao levante que sacudiu os territórios de 1987 até o início do processo de paz (acordos de Oslo), em 1993.
Ironicamente, o palestino morto com um tiro no peito, chamava-se Jihad (guerra santa) Ayyad. Ele tinha 16 anos. Outro palestino ficou ferido durante uma manifestação no norte de Ramalá, onde os militares israelenses dispararam balas reais contra centenas de jovens que lançavam pedras contra eles.
Em outras cidades, os militares dispararam balas de borracha e lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes, deixando cerca de cem feridos.
A polícia palestina interveio em várias ocasiões, em vão, para tentar separar os combatentes.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, usou novamente o argumento dos atos de violência para reafirmar sua recusa em aplicar as retiradas militares da Cisjordânia, também previstas no acordo concluído no final de outubro, sob a égide dos Estados Unidos.
Adotando um tom mais suave, o presidente palestino, Yasser Arafat, reafirmou ontem o desejo de estabelecer um Estado independente e pediu a libertação de prisioneiros palestinos presos em Israel.
Libertaremos nossa terra centímetro por centímetro e construiremos nosso Estado pedra por pedra, insistiu Arafat ante militantes de seu movimento Fatah, reunidos em Hebrón, na Cisjordânia.
Vamos declarar um Estado palestino (...). Jerusalém será nossa capital, gostem os israelenses ou não, rebateu.
Enquanto isso, o mediador americano, Dennis Ross, continuou suas negociações com Netanyahu e Arafat para tentar amenizar o clima antes da chegada de Clinton.


