Em mais uma das chamadas ‘‘jornadas da ira’’ – instituídas pelos palestinos para comemorar o aniversário da Intifada (revolta contra a ocupação israelense de Gaza e da Cisjordânia iniciada em 1987) – morreram ontem pelo menos 10 pessoas – sete palestinos e três israelenses – e 120 ficaram feridas.
Violentos choques entre soldados israelenses e palestinos ocorreram na Cidade Velha de Jerusalém, Cisjordânia e Gaza. Novos confrontos estão previstos para hoje.
Cerca de 100 mil palestinos, vindos da Jordânia, Gaza e Cisjordânia tentaram ingressar na Cidade Velha para orar em Al-Aqsa, na Esplanada das Mesquitas. Mas o primeiro-ministro Ehud Barak instruiu o Exército para só permitir a entrada de palestinos e árabes residentes em Israel. Apenas cerca de 20 mil conseguiram chegar à esplanada.
Indignados, grupos de palestinos atacaram o posto militar israelense montado na Porta dos Leões – localizada nas muralhas da Cidade Velha. Os soldados reagiram, disparando balas revestidas de borracha. Um palestino de 16 anos foi atingido na cabeça e morreu horas depois.
Mais de 100 pessoas sofreram ferimentos nos incidentes que duraram perto de três horas, entre as quais 23 soldados e três jornalistas.
Os incidentes mais graves ocorreram na Cisjordânia. Um tanque israelense disparou um projétil contra um posto policial palestino na cidade de Jenin, matando cinco agentes. Segundo um porta-voz militar israelense, o tanque disparou quatro projéteis contra os policiais palestinos que ‘‘haviam atacado soldados israelenses numa área desabitada da região’’.
A Autoridade Palestina (AP) afirmou que os israelenses ‘‘destruíram o posto sem nenhum motivo’’. Outro palestino, um jovem de 23 anos, foi baleado e morto por soldados israelenses que guardam o Túmulo de Raquel, em Belém.
Dois meninos palestinos, de três e quatro anos, foram feridos por colonos judeus que dispararam armas de fogo contra vários edifícios numa disputa com a população local por um prédio abandonado.
Os colonos tomaram o prédio à força em represália pela morte de dois israelenses numa emboscada armada por palestinos no entroncamento de Bet Hagay, perto da cidade cisjordaniana de Hebron.
Entre as vítimas dos franco-atiradores palestinos figura uma professora israelense, Rina Didoveski, mãe de seis filhos. Ela foi baleada quando se dirigia, de carro, para a escola.
Barak classificou esse atentado de crime hediondo. ‘‘Os assassinos serão punidos exemplarmente’’, prometeu ele a colonos furiosos que pediam seu afastamento do governo e ameaçavam ‘‘fazer justiça com as próprias mãos’’. Um terceiro israelense morreu perto de Jericó.

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