Choques entre israelenses e palestinos deixam 10 mortos
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de dezembro de 2000
Associated Press De Jerusalém 
Em mais uma das chamadas jornadas da ira instituídas pelos palestinos para comemorar o aniversário da Intifada (revolta contra a ocupação israelense de Gaza e da Cisjordânia iniciada em 1987) morreram ontem pelo menos 10 pessoas sete palestinos e três israelenses e 120 ficaram feridas.
Violentos choques entre soldados israelenses e palestinos ocorreram na Cidade Velha de Jerusalém, Cisjordânia e Gaza. Novos confrontos estão previstos para hoje.
Cerca de 100 mil palestinos, vindos da Jordânia, Gaza e Cisjordânia tentaram ingressar na Cidade Velha para orar em Al-Aqsa, na Esplanada das Mesquitas. Mas o primeiro-ministro Ehud Barak instruiu o Exército para só permitir a entrada de palestinos e árabes residentes em Israel. Apenas cerca de 20 mil conseguiram chegar à esplanada.
Indignados, grupos de palestinos atacaram o posto militar israelense montado na Porta dos Leões localizada nas muralhas da Cidade Velha. Os soldados reagiram, disparando balas revestidas de borracha. Um palestino de 16 anos foi atingido na cabeça e morreu horas depois.
Mais de 100 pessoas sofreram ferimentos nos incidentes que duraram perto de três horas, entre as quais 23 soldados e três jornalistas.
Os incidentes mais graves ocorreram na Cisjordânia. Um tanque israelense disparou um projétil contra um posto policial palestino na cidade de Jenin, matando cinco agentes. Segundo um porta-voz militar israelense, o tanque disparou quatro projéteis contra os policiais palestinos que haviam atacado soldados israelenses numa área desabitada da região.
A Autoridade Palestina (AP) afirmou que os israelenses destruíram o posto sem nenhum motivo. Outro palestino, um jovem de 23 anos, foi baleado e morto por soldados israelenses que guardam o Túmulo de Raquel, em Belém.
Dois meninos palestinos, de três e quatro anos, foram feridos por colonos judeus que dispararam armas de fogo contra vários edifícios numa disputa com a população local por um prédio abandonado.
Os colonos tomaram o prédio à força em represália pela morte de dois israelenses numa emboscada armada por palestinos no entroncamento de Bet Hagay, perto da cidade cisjordaniana de Hebron.
Entre as vítimas dos franco-atiradores palestinos figura uma professora israelense, Rina Didoveski, mãe de seis filhos. Ela foi baleada quando se dirigia, de carro, para a escola.
Barak classificou esse atentado de crime hediondo. Os assassinos serão punidos exemplarmente, prometeu ele a colonos furiosos que pediam seu afastamento do governo e ameaçavam fazer justiça com as próprias mãos. Um terceiro israelense morreu perto de Jericó.


