Choque entre polícia e sobreviventes
Bingol, Turquia Violentos confrontos ocorreram, ontem, na cidade turca de Bingol (leste) entre agentes de segurança e as vítimas do terremoto que causou 118 mortes e deixou 503 feridos, segundo o balanço oficial. O chefe da Polícia local, Nuri Ozdemir, foi destituído imediatamente após os incidentes por ordem do ministro do Interior, Abdulkadir Aksu. Os distúrbios começaram quando centenas de pessoas se reuniram em frente da sede do governo local para pedir barracas e ajuda pelo terremoto.
Um veículo policial feriu duas pessoas ao forçar a passagem entre a multidão, que reagiu jogando pedras, segundo a imprensa. Soldados e policiais dispararam em seguida para o ar para dispersar as pessoas que gritavam contra o governo.
Em um primeiro instante, os manifestantes se dispersaram, mas em seguida voltaram a atacar os policiais e seus veículos com paus e pedras, gritando ''Polícia assassina, policiais vão embora''.
As relações entre a população, de maioria curda, e as forças da ordem são tensas há muito tempo, devido aos incidentes provocados pela rebelião separatista armada da região. Um deputado que acompanhava as operações de socorro declaou que os confrontos eram obra de ''provocadores''. ''O público não está revoltado. É obra de provocadores'', disse Fevzi Berdibek para emissora de televisão NTV.
O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan disse ontem, em pronunciamento pela televisão, que as forças da ordem deveriam ter ''considerado as realidades psicológicas e sociais da população''.
Os manifestantes exigiram barracas após as autoridades aconselharem os moradores a não retornarem para suas casas arruinadas devido ao perigo de novos tremores.
O terremoto da madrugada de quinta-feira atingiu a marca de 6,4 graus na escala Richter.
No desmoronamento de um internato que abrigava cerca de 180 jovens, perto de Bingol, apenas 80 foram resgatados sãos e salvos, ontem. As operações de socorro ainda continuam no local, mas esperanças de encontrar vítimas com vida diminuem, enquanto uma grande operação para remoção dos escombros está sendo preparada.
Um total de 42 corpos foram retirados na manhã de ontem do que restou do internato, onde agora se concentram vários pais e familiares que esperam com angústia notícias de suas crianças.
Esperanças diminuem As esperanças de encontrar sobreviventes entre as crianças de uma escola de Celtiksuyu, destruída pelo terremoto que atingiu a região, diminuíram na tarde de ontem, mais de 30 horas depois do sismo. ''Alá é grande, espero que me devolva meu filho'', afirmava com voz resignada Abdulgaffur Over, 37 anos, funcionário da Direção de Assuntos religiosos, cujo filho Geylani, de 14 anos, ainda estava sob os escombros da escola que fica a cerca de doze quilômetros de Bingol e que na noite de quarta para quinta-feira foi atingida pelo terremoto.





