Choque entre polícia e estudantes
Choque entre polícia e estudantes
France PresseCamponesas carregam pedras para fazer novos bloqueios em Cochabamba, onde a situação continua tensaNovos confrontos entre universitários e a polícia ocorreram ontem em La Paz, enquanto representantes do governo e dos camponeses dialogavam com a mediação da Igreja Católica em busca de um acordo para acabar com a violência. A polícia reprimiu com rigor centenas de universitários que tentaram sair às ruas em manifestação contra o estado de sítio imposto sábado, exigindo um aumento no orçamento para a educação. Os policiais utilizaram gás lacrimogêneo e balas de borracha que deixaram 15 feridos, segundo informou o docente da Universidad Mayor de San Andrés, Jaime Vilela. Cerca de 50 estudantes foram presos. Os universitários recuaram até sua sede e responderam atirando pedras contra a polícia. Desde a imposição do estado de sítio, sábado, foram registrados cinco mortos e 57 feridos.
O diretor da Polícia Técnica Judicial, coronel Andrés Sánchez, confirmou ontem que 10 camponeses serão julgados na Justiça comum para responder a acusações de instigação pública à desobediência civil e pela autoria intelectual do assassinato do capitão do Exército Omar Téllez, morto sábado após ser torturado pelos moradores de Achacachi, a 120 quilômetros de La Paz.
Apesar dos novos distúrbios, um acordo era buscado ontem com mediação da Igreja Católica, disse a Defensora Pública, Ana María de Campero. No entanto, persiste a ameaça de uma greve convocada para hoje pela Confederação Trabalhista Boliviana, cujo vice-presidente, Zózimo Paniagua, diz que os sindicatos brigam devido ao assassinato de camponeses e estudantes pelas forças militares.
Um acordo central iniciou as reuniões em busca da solução das reivindicações agrárias, sob o compromisso de suspender as medidas de pressão. Informou-se também que foi analisado o problema que originou os conflitos: os protestos pela alta de 20% nas tarifas de água em Cochabamba.
Foi obtido um acordo para uma rescisão do contrato com a empresa anglo-franco-hispano-boliviana Aguas del Tunari, que abastece a cidade. Cochabamba é o terceiro maior município do país e situa-se 500 quilômetros ao sudeste de la Paz. As organizações cívicas de Cochabamba chamaram de fantasma a empresa, acusando-a de oferecer um serviço deficiente e aumentar as tarifas sem justificativa.





