Choque de trens mata 26 em Londres
Associated Press
De Londres
Pelo menos 26 pessoas morreram carbonizadas ou mutiladas e 160 ficaram feridas ontem em Londres, no pior choque de trens dos últimos 11 anos na Grã-Bretanha, informou o ministro dos Transportes, John Prescott, que acompanhou pessoalmente o trabalho de resgate. Ele ressaltou que o número de mortos pode aumentar o estado de 20 dos feridos era considerado gravíssimo. E, em meio a severas críticas à privatização do sistema, ocorrida há dois anos, prometeu ampla investigação, pois as causas até agora são desconhecidas.
Os dois trens lotados de passageiros um da empresa Great Western e outro da companhia Thames Link chocaram-se de frente a cerca de três quilômetros da estação ferroviária de Paddington, distrito londrino de Landborke Grove. Eram 8 horas horário de maior movimento de passageiros.
Ouvi um barulho infernal e tudo virou de cabeça para baixo, contou uma passageira, Amelia Bane, ouvida pela rede de TV americana CNN. Muitos ficaram presos entre os bancos.
Depois do barulho, o vagão, já completamente destruído pelo impacto, foi tomado pelo fogo, acrescentou outra sobrevivente, Emma Rippon. Logo, uma coluna de fumaça cobriu tudo.
As pessoas pediam socorro, mas não dava para ver quantas eram, disse Wolfgang Schimit, que escapou por uma janela quebrada. O interior do vagão ardia como o inferno, disse, para acrescentar ter visto um passageiro correr para fora do vagão com as roupas em chamas, como uma tocha.
Estava lendo um livro e fui arremessado para frente, de encontro a um passageiro, enquanto o vagão capotava seguidamente as pessoas gritavam, uma mulher foi lançada para fora e outra morreu esmagada entre ferros retorcidos, ressaltou o passageiro Mark Rodgers. Foi uma experiência chocante e terrível.
Um cronista da BBC, Phil Longman, estava a bordo de um dos trens. Houve um primeiro grande estrondo e o trem pareceu saltar no ar, contou ele. Houve outro estrondo e foi lançado para a frente. Também estava entre os passageiros a novelista britânica Jilly Cooper, que conseguiu sair por uma janela quebrada.
Mais de cem pessoas ficaram presas entre as ferragens. As equipes de socorro da Scotland Yard levaram mais de cinco horas para retirar todas elas. O cenário é de material retorcido e vagões carbonizados, o que torna extremamente difícil o trabalho de retirada das vítimas, salientou o inspetor Brian Grosden, da Scotland Yard, ao dar um balanço da situação para a rede de televisão Sky News. A tráfego de trens por Paddington foi interrompido.
Cerca de 50 ambulâncias foram mobilizadas para transportar os feridos a seis hospitais londrinos. O hospital St. Marys, localizado nas proximidades da estação ferroviária, recebeu a maior parte das vítimas.
Esse é segundo acidente grave desde a privatização do sistema. Em setembro de 1997, um trem da Great Western ultrapassou o sinal vermelho em Southal e bateu em outro. Sete pessoas morreram e 150 ficaram feridas. As composições foram arrematadas por pelo menos 20 empresas, enquanto a manutenção das linhas férreas (incluindo sistemas de sinalização e segurança) ficou a cargo de uma Royal Track. Desde então, segundo os usuários, o serviço piorou. As reclamações contra as empresas no Ministério dos Transportes, principalmente em relação à segurança, aumentaram 150%. O acidente mais grave dos últimos anos ocorreu em 1988, em Clapham (Londres), matando 35 pessoas.No pior acidente ferroviário dos últimos 11 anos na Grã-Bretanha, 160 pessoas ficaram feridas, 20 delas em estado gravíssimo
France Presse8 da manhãOs dois trens lotados chocaram-se de frente no horário de maior movimento de passageiros. Mais de cem pessoas ficaram presas nas ferragens





