Chocolate ganha o aval da ciência
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de setembro de 2001
France Presse<br> De Paris 
Depois das gorduras, do sal e do pão, os cientistas reabilitaram o chocolate, alimento que traz vários benefícios e não engorda, assinalou-se no 55º Congresso de Medicina Entretiens de Bichat, realizado em Paris.
Acusado, ao longo dos anos, de causar grandes males, ou exaltado por suas virtudes (euforizante, estimulante, afrodisíaco), sabe-se hoje que o alimento (que chegou na Europa no século XVI, procedente da América) desempenha também um papel de protetor.
Testes com roedores já mostraram seus efeitos de prevenção contra o câncer, doenças cardiovasculares, osteoporose e doenças inflamatórias. Essas propriedades protetoras seriam devidas aos polifenóis, substâncias presentes em grande quantidade no chocolate.
''Durante anos, essas substâncias foram consideradas antinutritivas e causadoras de possíveis efeitos negativos sobre a digestão. Mas hoje despertam um grande interesse, devido às suas propriedades antioxidantes'', explicou Augustin Scalbert, cientista do laboratório de doenças metabólicas do Instituto Francês de Pesquisa Agronômica (INRA).
Os antioxidantes cumprem a função de resistir aos radicais livres gerados permanentemente pelo organismo e àqueles causados por agressões externas (infecções, fumaça do cigarro, inalação de substâncias poluentes).
No caso de doenças cardiovasculares, os testes feitos com animais mostraram que os antioxidantes impedem o depósito de gordura nas artérias, evitando a trombose que causa o enfarte. Nos testes com cânceres de roedores, verificou-se que os antioxidantes evitam também a proliferação de células tumorosas nos casos de câncer de cólon, estômago, fígado, mama, próstata, pulmão, pele e bexiga.
Quanto aos benefícios mais ''tradicionais'' do chocolate, como suas qualidades de euforizante e antiestressante, estes são cada vez mais conhecidos e demonstrados e se sabe que se devem aos seus componentes: glúten, magnésio ou cafeína.
A boa notícia é que, à exceção de quem tem predisposição genética, e apesar da sua grande densidade energética, o grande consumidor de chocolate não parece correr mais riscos de engordar do que as outras pessoas, indicou o professor Jean-Michel Lecerf, do Insituto Pasteur de Lille (Norte da França).
''O consumo moderado de chocolate pode ter inclusive um efeito psicológico positivo considerável e, por exemplo, ajudar uma criança obesa a suportar as restrições que lhe são impostas'', acrescentou Lecerf.


