Paris - O presidente francês, Jacques Chirac, fez um apelo ontem, em Paris, para a criação de uma ''autêntica organização internacional'' do meio ambiente no âmbito da ONU para ''reforçar o governo mundial'' neste setor. ''Fazemos um apelo para transformar o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente em uma autêntica organização internacional, de composição universal, à imagem da Organização Mundial da Saúde'', propôs Chirac. ''Todos os aqui presentes, Cidadãos da Terra, apoiamos os esforços das nações que se mobilizam, em um espírito de soberania partilhada, para reforçar o governo internacional do meio ambiente'', declarou o presidente francês, na conferência internacional, que durante dois dias reuniu em Paris 500 especialistas do mundo todo.
Por enquanto já foi criado ''um grupo pioneiro'' de ''mais de quarenta países'', que terão o objetivo de promover o projeto, questionado pelos Estados Unidos e os grandes países emergentes.
O apelo é feito no dia seguinte da publicação do relatório de especialistas do IPCC, segundo o qual as crescentes emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa provocarão um perigoso aquecimento da temperatura da Terra e transtornos meteorológicos que serão sentidos durante mais de um milênio.
O texto, o quarto publicado pelos especialistas da ONU, adverte que a Terra experimentará no século XXI um aquecimento entre 1,8 e 4 graus centígrados, o nível do mar subirá 58 centímetros e aumentará a ocorrência de fenômenos meteorológicos devastadores.
Assunto em pauta - O aquecimento global foi um dos principais temas discutidos no Fórum Econômico Global de 2007, em Davos, mostrando que o assunto também entrou na pauta das grandes potências. Dezessete das cerca de 220 sessões do evento, realizado no fim de janeiro, exploraram os mais diversos aspectos do tema, como os mecanismos de mercado para controlar as emissões, os riscos para a segurança global e os aspectos jurídicos.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, defendeu que as nações busquem um acordo ainda mais radical que o Protocolo de Kyoto (não ratificado pelos Estados Unidos), quando este expirar em 2012.
Outra discussão foi sobre até que ponto o aquecimento é um problema em que a solução depende dos governos ou pode também ser resolvido pelos mercados. Uma das preocupações óbvias num encontro dominado por capitalistas é o de que regulações excessivas atrapalhem o crescimento das empresas e o desenvolvimento econômico. Mas mesmo entre eles já tem prevalecido a idéia de que os efeitos nocivos do aquecimento global são muito piores.
Os participantes do fórum representam empresas com um faturamento anual total de US$ 10 trilhões, quase um quarto do PIB global. Pesquisa mostrou que o número dos que consideram o aquecimento uma prioridade para os líderes mundiais passou de 9% para 20% de 2006 para 2007.

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