Chirac deve anunciar mudanças no governo
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segunda-feira, 30 de maio de 2005
Folhapress 
São Paulo - O presidente francês, Jacques Chirac, vai anunciar hoje em um pronunciamento que fará para todo o país durante a noite, as ''decisões sobre o governo'' decorrentes do referendo realizado ontem sobre a Constituição européia, rejeitada pelos franceses.
O primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin deverá ser substituído, segundo o jornal francês ''Le Monde''. Ainda não há um nome certo para a sucessão. Entretanto, o primeiro-ministro prometeu responder com ''um novo e forte impulso'' de ação governamental para acalmar as ''inquietudes'' e ''expectativas'' dos franceses.
Segundo a mídia francesa, Raffarin que está no governo desde 2002 fez às 16h30 (11h30 de Brasília) uma ''reunião de despedida'' com membros de seu gabinete no Palácio de Matignon, sede do governo. Chirac reuniu-se pela manhã com o primeiro-ministro, e também o presidente do partido UMP (conservador) de Nicolas Sarkozy, um dos nomes apontados pelo ''Le Monde'' como possível sucessor de Raffarin.
O presidente francês também deve se encontrar com o ministro do Interior, Dominique Villepin um de seus maiores aliados , e a ministra da Defesa, Michele Alliot-Marie. Os dois também estão na lista de possíveis sucessores do primeiro-ministro.
Um total de 54,87% da população francesa votou domingo contra a Constituição, redigida pelo ex-presidente francês, Valèry Giscard D'Estaing. Cerca de 70% dos 42 milhões de franceses aptos a votar foram às urnas. O jornal espanhol ''El Mundo'' diz que ''o terremoto político era previsível, já que a esquerda e a extrema direita converteram a consulta popular em um referendo sobre o atual governo de centro-direita''.
Além das articulações internas, o presidente francês também falou com inúmeros líderes de outros países que integram a União Européia (UE), para contornar a crise deflagrada em todo o bloco, com a rejeição da Constituição européia pelos franceses.
Chirac conversou com autoridades da Alemanha, Reino Unido, Espanha, e também com o presidente da Comissão Européia, José Manoel Barroso, e o presidente interino da UE, Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro de Luxemburgo. ''Ele (Chirac) confirmou que a França, um dos membros-fundadores da UE, vai continuar a trabalhar com seus parceiros, dentro do espírito de construção'', afirmou o porta-voz do presidente, Jerome Bonnafont.
Foi o próprio presidente quem escolheu levar a Constituição para ser votada via referendo, e não via Parlamento francês, onde iria ser aprovada por larga maioria, afirma a mídia francesa.


