Savannah - O presidente francês, Jacques Chirac, comprometeu-se ontem a defender a proposta de impor uma taxa internacional para ajudar aos países pobres, durante a reunião de cúpula do G-8, que se realiza até hoje em Sea Island (sudeste dos Estados Unidos).
  ‘‘Formalizarei em breve na ONU a proposta de uma taxa internacional que permita recuperar recursos em quantidade suficiente para que se somem à ajuda pública concedida ao desenvolvimento’’, declarou o presidente em entrevista à imprensa em Sea Island.
  ‘‘É uma idéia (...) inevitável’’, acrescentou Chirac, lembrando que a questão da ajuda aos países pobres figurou na agenda da reunião na tarde de ontem. Vão participar dirigentes de vários países africanos. No ano passado, na reunião de cúpula do G-8 em Evián (leste da França), o presidente francês acatou a idéia apresentada pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de impor uma taxa sobre a venda mundial de armas para financiar a luta contra a fome.
  Chirac manifestou ontem suas ‘‘profundas reservas’’ sobre uma intervenção da Otan (aliança militar ocidental) no Iraque. ‘‘Eu não acredito que seja missão da Otan intervir no Iraque’’, afirmou Chirac.
  Chirac, que se opôs à guerra liderada pelos EUA contra o Iraque, foi questionado sobre a possibilidade de tropas da Otan fazerem parte dos esforços de segurança no Iraque depois da entrega do poder a um governo interino no dia 30 de junho. Segundo Chirac, uma intervenção da Otan só poderia ser feita ‘‘por petição expressa de um governo iraquiano soberano’’.
  O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu ontem que a Otan assuma um papel mais amplo no Iraque para ajudar na estabilização do país. ‘‘Acreditamos que a Otan deve estar envolvida’’, disse Bush.
  ‘‘Trabalharemos com nossos amigos da Otan para ao menos continuar o papel que existe ontem e esperamos ampliá-lo de alguma maneira’’, disse Bush.
  Apesar dos EUA, Reino Unido e outros países membros da Otan terem oficiais no Iraque, a aliança não possui um compromisso formal no país árabe. Funcionários da Otan afirmam que a organização está suficientemente comprometida no Afeganistão.

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