Chirac condena declarações do premier francês
Associated Press
de Paris
France PressePalestinos promovem protestos contra as declarações do premier francêsO presidente da França, Jacques Chirac, condenou ontem as declarações do primeiro-ministro Lionel Jospin classificando como terroristas as ações das guerrilhas do grupo islâmico Hezbollah contra tropas israelenses no Sul do Líbano. Uma fonte do governo francês relatou que Chirac telefonou para Jospin e chamou a atenção do primeiro-ministro para o delicado equilíbrio da França em seu apoio a Israel e ao mundo árabe.
Colocar essa imparcialidade em dúvida irá impor um retrocesso à credibilidade de nossa política externa e à capacidade da França em promover a paz, disse Chirac.
Foi a primeira vez que Chirac e Jospin entraram em conflito de forma tão evidente desde que os dois começaram a compartilhar o poder na França, há três anos. Jospin abreviou sua visita ao Oriente Médio sábado depois que estudantes da Universidade Bir Zeit, na Cisjordânia, o apedrejaram, em retaliação contra suas declarações.
Os estudantes qualificaram de terrorista o primeiro-ministro israelense Ehud Barak, e descreveram Jospin como seu cúmplice. De Bir Zeit até Beirute, somos um só povo!, gritavam enquanto apedrejavam e chutavam o carro de Jospin.
O primeiro-ministro dirigiu-se mais tarde a Gaza, onde conversou com o presidente palestino Yasser Arafat, que condenou os episódios de violência. Jospin respondeu afirmando que o incidente não afetaria as relações palestino-francesas, insistindo em que foi à Palestina como amigo de seu povo e de seu líder. Suas declarações provocaram uma onda de críticas no mundo árabe.
Em Beirute, o líder do grupo Hezbollah, o xeque Naeem Kassem, exigiu ontem que o primeiro-ministro se desculpe por suas declarações. Segundo Kassem, isso terá que ser feito antes que Jospin visite o Líbano, onde, segundo ele, o premier não é bem-vindo.





