Chirac apresenta novo governo
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quarta-feira, 31 de março de 2004
Beatriz Lecumberri<br>France Presse 
Paris - O novo governo francês anunciado ontem tem como objetivo reabilitar a arranhada imagem da direita moderada após o voto punitivo da população nas eleições regionais do último domingo e evitar uma hecatombe similar nas eleições européias de junho. O trabalho de criar um novo governo pareceu duro e interminável. Desde terça-feira, quando o presidente Jacques Chirac confirmou o primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin em seu cargo e lhe encarregou desta ingrata tarefa, multiplicaram-se as reuniões entre autoridades e as idas e vindas dos políticos, enquanto os nomes mudavam ''a cada meia hora'', segundo fontes do Executivo.
Ao final, o novo governo Raffarin mantém os pilares do Gabinete anterior, mas lhes dá responsabilidades diferentes e prescinde dos ministros que vinham de outros partidos, substituindo-os por políticos experientes.
Nicolas Sarkozy continua sendo número dois do governo francês, mas sairá do Interior e irá para a Economia. Dominique de Villepin deixa a Chancelaria e assume a pasta do Interior, enquanto um comissário europeu bem conhecido pelos franceses, Michel Barnier, ficará à frente das Relações Exteriores.
O antigo ministro delegado de Urbanismo Jean-Louis Borloo assume um ministério considerado fundamental, a Coesão Social, e François Fillon será ministro da Educação Nacional.
Com estes homens-chaves, todos eles considerados fiéis a Chirac, Raffarin terá de demonstrar nos próximos meses que ''a justiça social, e não apenas a segurança, está no coração das prioridades governamentais'', como declarou o premier esta semana. Sua missão será revitalizar a imagem da direita, dividida e sem rumo depois da derrota nas urnas, dar a confiança necessária aos eleitores e mudar a péssima imagem de alguns ministérios, devido a polêmicas reformas ou a uma má gestão.
Ao todo, o recém-anunciado gabinete passa de 38 para 43 membros, incluindo ministros, ministros delegados e secretários de Estado. Entre eles, quase não há representantes da sociedade civil, que foram as grandes vítimas desta transformação, começando por Luc Ferry (Educação), Francis Mer (Economia), Jean-Jacques Aillagon (Cultura), Jean-François Mattei (Saúde) e Noelle Lenoir (Assuntos Europeus).
Com esta equipe nova, mas dirigida pelo mesmo homem, ao qual os cidadãos disseram ''não'' no dia 28 de março e cuja popularidade está em baixa há meses, Chirac pretende reconstruir uma imagem positiva de sua direita moderada antes das eleições européias programadas para 13 de junho.
Até lá, questões polêmicas como a privatização dos serviços de eletricidade e gás, a lei de mobilização pelo emprego, a reforma da Previdência Social ou os cortes orçamentários para Educação ou Pesquisa prometem multiplicar o descontentamento popular.
Apesar de tudo, porém, Chirac optou pela continuidade e decidiu dar uma nova oportunidade a Raffarin, antes de fazer mudanças mais radicais, que serão obrigatórias se o desastre se repetir em junho.


