Chineses discutem as reformas
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de setembro de 1997
Gilles Campion France Presse Pequim 
Os dois mil delegados do 15º Congresso do Partido Comunista Chinês (PPCh) começaram ontem a discutir as audazes reformas propostas pelo Chefe do Estado e do partido, Jiang Zemin, para superar a crise do setor econômico estatal.
Os debates, organizados em múltiplas salas do imenso Palácio do Povo, no centro de Pequim, acontecem geralmente a portas fechadas, mas este ano o regime quis passar uma imagem de maior transparência e, excepcionalmente, abriu algumas salas aos jornalistas.
Jiang Zemin exortou ontem os delegados a sair dos caminhos trilhados a fim de encontrar uma solução para a crise do setor público, isto é, os gastos sociais.
Em um discurso de duas horas e meia perante um auditório de 2.048 delegados, o líder do partido afirmou que só um sistema acionário é capaz de resolver a crise das empresas públicas, das quais cerca de dois terços perdem dinheiro.
Uma parte do capital das empresas públicas será colocada à venda em forma de ações aos particulares e às coletividades, segundo as informações obtidas pela imprensa chinesa sobre a reforma. A maioria permanecerá sob controle das autoridades locais.
Esta reestruturação, acrescentou, é de importância vital para a estabilidade social e econômica.
Jiang negou que o sistema de acionistas seja uma privatização camuflada, como afirmam alguns setores da velha guarda do PCC.
Mas o secretário geral não ocultou que esta reforma será acompanhada inevitavelmente de demissões e de dificuldades sociais para os 100 milhões de funcionários públicos.
Jiang advertiu que terminou a época em que o Estado se encarregava do bem-estar do cidadão, do berço até o túmulo.
Todos os trabalhadores devem mudar sua forma de pensar em matéria de emprego e melhorar sua qualificação para atender às novas exigências da reforma e do desenvolvimento, disse.
Cerca de 30% dos 113 milhões de empregados da indústria são considerados improdutivos.


