Chineses cercam embaixada dos EUA
O embaixador dos EUA em Pequim, James Sasser, declarou ontem à TV CBS que o pessoal diplomático americano se tornou refém da China desde que começaram os protestos de milhares de pessoas em todo o país contra o bombardeio da Otan à embaixada chinesa em Belgrado. Quatro pessoas morreram - incluindo a enviada especial da agência Nova China à Iugoslávia, Shao Yunhuan - e 20 ficaram ficaram feridas no ataque acidental. Não há dúvida de que nós somos reféns aqui. Todos os vidros foram quebrados e nós não podemos sair, afirmou Sasser, que acusou as autoridades chinesas de deixar os manifestantes agir livremente.
Os protestos são os maiores desde os da Praça da Paz Celestial, em Pequim, há 10 anos. De 20 mil a 30 mil estudantes concentraram-se diante das embaixadas americana e britânica em Pequim. A residência do cônsul americano em Chengdu, no sudoeste do país, foi incendiada ontem. Houve protestos em Xangai, Cantão e Xeniang, entre outros. O porta-voz da Casa Branca Michael Hammer adotou um tom mais brando, afirmando que Washington confia em que as autoridades chinesas tomarão as precauções necessárias.
No entanto, os jornais chineses acusaram a Otan de ter atacado propositalmente e o vice-presidente Hu Jintao manifestou seu apoio aos protestos, em discurso na TV, ressaltando, porém, que a estabilidade social deve ser garantida. Já o embaixador da China nos EUA, Li Zhaoxing, disse que a resposta de seu país ao bombardeio será determinada pelos resultados da investigação que está realizando. Ele não quis antecipar qual a atitude que Pequim tomará no Conselho de Segurança (CS) da ONU, do qual é membro permanente. Na madrugada de anteontem, o CS realizou uma reunião extraordinária, a pedido da China, que não conseguiu apoio para a abertura de uma investigação e a aprovação de uma moção de condenação ao acidente.
A Otan voltou a lamentar ontem o bombardeio da Embaixada da China em Belgrado e culpou a Agência Central de Inteligência Americana (CIA) pelo trágico erro. Reiterou, ainda, que pretende continuar com os ataques para forçar o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, a ceder. Forças da aliança atacaram ontem de madrugada numerosos objetivos na Iugoslávia e em Kosovo, mas não em Belgrado. O secretário de Defesa americano, William Cohen, e o chefe da CIA, George Tenet, admitiram que o engano teve origem em informações errôneas do serviço secreto.
Ainda ontem, o filho da jornalista Shao Yunhuan enviou uma carta ao presidente americano, Bill Clinton, pedindo-lhe que ponha fim aos bombardeios. Escute a voz poderosa da paz. Não entendo como um Estado democrático e poderoso como o seu pode aterrorizar uma pequeno país como a Iugoslávia, disse Cao Lei, de 19 anos, cujo pai, um diplomata, ficou ferido no bombardeio.France PresseCena que se repeteEstudante chinês atira objeto contra embaixada dos EUA: cena lembra a Praça da Paz Celestial, há 10 anosResidência do cônsulamericano em Chengdu, no sudoeste do país, foi incendiada ontemDas Agências Estado
e France Presse





